O escritor e seus escritos | Bang Bang Escrevi

O escritor e seus escritos

19 de fev de 2010
Escrever, eis a profissão na planilha do mercado. Com exímios profissionais e excêntricos iniciantes. Será talento? Será capacidade? Ou simplesmente sorte? Difícil dizer afinal é apenas escrever. Quem não sabe fazer isso?

O escritor é uma pessoa complicada, que eu assemelhando a filmes sempre vejo como uma pessoa decadente ligeiramente inclinada ao consumo de álcool e ao uso de drogas por motivos fúteis. Motivos esses que ele enxergava sempre como uma nova história: A garota adolescente que se apaixonou e teve seu coração partido. O escritor no limite de sua criação transforma esse simples ato cotidiano em um mundo cinematográfico exageradamente detalhado desde os simples acontecimentos ao complexo mundo psíquico que a adolescente passara. Mas enfim o que o escritor vê além da vida? Nada! O escritor não cria, ele apenas diz as coisas de um modo diferente ele consegue colocar suas interpretações no papel de um modo que as outras pessoas não conseguiram ver. Ele trabalha com os sonhos, tenta despertar nas pessoas os mesmos sintomas que seus personagens passam, tenta quantitativamente fazer as pessoas sentirem empatia pela situação vivida em seu conto e por último mas não menos importante, tenta dentro de suas entrelinhas dizer que o mundo é livre e que as pessoas podem viver as suas vidas até a exaustão completa, de um modo que em seu tumulo seja esculpido: “Jaz aqui uma pessoa que viveu plenamente”. 
Não existe outra inspiração pra um escritor a não ser a vida. É disso que ele vive, é isso que ele respira, é isso que ele come e é disso que ele escreve. O incansável escritor agora diz que o propósito da vida é o mesmo que o de uma vela, simplesmente queimar até que se esgote e a razão pra isso é mais simples ainda, recorremos a vela quando a escuridão se aproxima de nós, recorremos a vida de outras pessoas quando perdemos o controle da nossa. Na verdade o escritor nada mais faz do que escrever a vida de uma pessoa, suas experiências, suas expectativas, seus sonhos e todo o seu universo particular, para que outras em momentos de dúvida e neblina possam ter um farol para se orientarem e resolverem seus problemas funcionando como uma grande livraria de conselhos.
Mas vale lembrar que os conselhos não são únicos e específicos de uma pessoa, afinal lembrando o que eu dissera no início, os personagens das histórias se chocam regular e constantemente com as pessoas do mundo real, então não diga que o escritor é o dono da razão e que o que ele disse é opinião dele , mas sim, que o que foi ali dito foi vivido por outra pessoa e que ele apenas transfigurou em palavras para que outras pessoas pudessem vivenciar e sentir-se no lugar da personagem superando seus conflitos como se fossem uma única pessoa. Se ainda acham que estou errado uma última pergunta: Quem nunca se identificou e aprendeu com um livro?
Como a grande livraria de conselhos deve continuar o escritor deixa agora um último conselho provisório. Vivam a vida como se acabassem de sobreviver a um grande desastre, encarem o amor como se acabassem de superar uma desilusão, sorria como se tivesse acabado de sair de uma peça teatral de comédia e queimem, queimem e queimem o que chamam de vida para que em seu último suspiro possa ver seus feitos refletidos em páginas de livros.
Victor Candiani

Uma pessoa que gasta muito tempo com livros, filmes e séries.

Comentários
0 Comentários
Deixe seu comentário
Postar um comentário

 
Bang Bang Escrevi | Todo conteúdo está sob a proteção da licença Creative Commons 3.0.