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Desventuras de uma noite de insônia Part. III

8 de mar de 2010
Não me responsabilizo mais pelos meus atos daqui em diante, pois aquela velha brincadeira de explorador havia começado e eu tinha que tomar o controle da situação, não sabia quanto tempo ia durar. As mãos percorriam o corpo como se ele fosse feito única e exclusivamente pra isso, iam da nuca as pernas, das pernas ao abdômen. Entravam, saiam dos cabelos, puxava, apertava, um toque mais leve um toque mais firme, com se a vitima até então assim conhecida, se tornasse por um instante o predador e um abraço apertado cerrado nas costelas, foi o golpe final.
Senti que ela se entregara e um olhar foi o código para que as roupas começassem a ser arrancadas como se a existência de mangas e golas fosse desnecessária. Calças, blusas e camisetas surradas, moídas e espalhadas pelo quarto. Agora não me importava mais com as fraseologias ou com as questões, o ela, estava ali e isso era suficiente. Em um golpe voraz ela me viu por cima dela e com seu sorriso sem jeito agora carimbado em sua face, teve certeza de que não teria como sair dali e nem parecia querer fazê-lo. Uma última olhada e um último beijo marcaram o início da consumação carnal, a sincronia dos movimentos, os gemidos a satisfação... Algo pairava pelo ar e o desejo transpirava pelo nosso suor. Os minutos de descanso se reservavam entre as trocas de posição e o jogo continuava. Os cabelos, tanto os meus quanto os dela, agora estavam encharcados de suor e que hora sim, hora não sofriam alguns puxões. As bocas se tocavam, deslizavam até o pescoço, orelha, pescoço, queixo e boca, mordia, lambia, a barba roçava, assoprava e respirava e cada sensação transfigurava-se em uma cadeia de arrepios incontroláveis que começavam na nuca e sabia-se lá onde acabavam.
O estado agora era de puro êxtase. A nirvana. Inconscientes, inconsistentes e embriagados pelo deleite do momento, continuavam a fazer o tão marginalizado ato de contemplação mutua até o seu limite, quando em uma fração de segundas o desejo e a paixão se fundiram com todos os sentimentos presentes explodindo em um único e estrondoso suspiro. Ali deitado, eu sem resposta e ela ainda tremendo, com guerreiro puxando a espada para uma vez atacar agora recolhia-a como um escudo a envolvendo em meus braços, apertando-a forte para que sentisse que eu ainda estava ali e estava inteiramente com ela.
De repente acordei com meu velho celular despertando e me dei conta de que tinha cochilado e que só se passara uma hora desde que eu fora me deitar, o relógio então marcara 01:55 e eu não sabia se ainda essa noite iria vê-la novamente. Aquelas velhas fraseologias voltaram em questão para me lembrar se com a interrupção da minha inquieta mente , o ela, seria alguém? O alguém, seria você?


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Victor Candiani

Uma pessoa que gasta muito tempo com livros, filmes e séries.

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