Aquela velha criança | Bang Bang Escrevi

Aquela velha criança

2 de ago de 2010
Quem você é na frente de um espelho a pessoa ou o reflexo? Você sabe que é a pessoa, mas pode perder-se acreditando que é o reflexo, o que diferencia as imagens é a capacidade de interpretá-las. Quando não lidamos com nossos monstros, automaticamente somos o reflexo, a operação necessária para fazer o quadro virar começa com retalhos de sua personalidade a-firmando-lhe que você é mais material do que o seu reflexo. A poesia escrita começa assim, não são mais do que momentos de profunda reflexão que se tornam retalhos de certeza e incertezas, conflitos e soluções um toque de realidade e muitas indignações.
Era uma vez uma criança...
Que foi abandonada e todos os porquês acabaram. As diversas formas de interpretar uma simples coisa desapareceram e sua manei-ra de ver o mundo mudou completamente, mas pobre da criança que enxergava tudo como uma coisa nova sempre. Virou um adulto rabugento que resmunga de tudo que é difícil para ele, mas que adora a facilidade de se acomodar com tudo que lhe vem fácil. Tornou-se um político que elabora planos complexos de como resolver os problemas, mas que nunca os colocará em prática porque isso o tiraria da sua confortável poltrona de conformidades.
O costume de ser criança vem do hábito de prestar atenção nas coisas vistas além dos limites de nossa própria imaginação.
Victor Candiani

Uma pessoa que gasta muito tempo com livros, filmes e séries.

Comentários
1 Comentários
Um comentário:
  1. Profundo o texto, gostei.
    Me lembrou Narciso no começo, esse lance do reflexo.

    abç
    Pobre Esponja

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