Setembro 2010 | Bang Bang Escrevi

Eleições, lixo e sustentabilidade.

27 de set de 2010
Nos últimos dias tenho notado o aumento de número de propagandas eleitorais espalhadas pela cidade, fico chocado ao ver que em uma praça com três arvores, existem 30 cartazes de um mesmo político, que existem casas com a fachada completa da mesma propaganda etc.

E o pior nem são as propagandas abusivas é a falta de atenção das pessoas já que os políticos se elegem por nomes, essa parte é difícil de entender, por isso vou contar uma historinha...
Era uma vez...
Um pai político, que fez coisas por uma região, até manda atualmente cartões de aniversário, Páscoa, Natal e todos os outros feriados possíveis, ele tinha um super nome, é legal ter sobrenome de comida eu acho... é igual Leite para crianças. Hoje esse mesmo pai político, elege seus dois filhos com o seu nome e as pessoas não veem isso. É pura falta de Estima, toda essa palhaçada.
Voltando a falar das propagandas abusivas... As vuvuzelas (por enquanto) acabaram, porém vieram às carreatas, com carros de som e microfones, e todos aqueles papéis voando. OPA! Não existe uma tal lei chamada "Cidade Limpa" esqueceram dela? (e ainda reclamam comigo por causa de um papel de bala) Sujando a cidade, parando o trânsito, tirando toda paz e tranquilidade de quem não tem nada que ver coma campanha eleitoral.

Os Promessometrôs (termo nem um pouco novo na política brasileira) controlando a massa, fazendo-os acreditarem em coisas que não irão acontecer. Sem falar nas Sub-celebridades que ganham a eleição por pura e insolente fama. Qual o problema em pesquisar um candidato, encontrar um que seja sério? E que leve a política a risca, afinal "pior do que tá não fica!"

O resultado de toda essa brincadeira é uma montanha de lixo acumulado, logo a primeira medida que os governadores devem tomar é cuidar de criar planos de ação para evitarem enchentes, já que entupiram todos os bueiros e bocas de lobo da cidade. Como ser sustentável dessa maneira? E como levantar a bandeira da sustentabilidade em uma campanha? Que tal não fazê-la? Não precisa gostar de política ou ler milhares de livros para votar consciente (lembra da Copa do Mundo? que tal ser patriota agora?), basta saber que todos os acontecimentos dos quatro seguintes anos são inteiramente dependentes de quem você elege hoje. Então se você planeja viajar, preocupe-se com a inflação e o dólar. Se o seu filho está em idade de ensino técnico ou universitário, preocupe-se com os investimentos na educação. Se a sua mãe tem problemas de saúde e o sistema de saúde pública só poderá atendê-la daqui três meses, você realmente deveria se preocupar, não? Por que eu, quando voto penso principalmente no que é NECESSÁRIO mudar e, não no que é PRECISO ser feito. Necessidades vêm antes dos desejos, você por um acaso deixar de comprar o gás, para comprar chocolate? Pense nisso!

Necessário é tudo aquilo que os políticos não fazem para sempre terem o que prometer.

Palavras de Mestre

21 de set de 2010
Acordei e não tinha a menor idéia de como me surpreenderia com meu dia.

Hoje é o dia da árvore e exclusivamente por esse motivo a Empresa Google realiza o Doodle 4 Google, onde crianças aprendem conceitos sobre ecologia e sustentabilidade e depois aplicam os conhecimentos na Logo marca do Google e depois dos alunos terem feitos os seus desenhos eles vão para a prática onde plantam uma muda de árvore com os organizadores. A infraestrutura é espetacular e a atenção coma galerinha é surpreendente. Mas, não é por esse motivo que venho até aqui.

No auditório onde foram introduzidos os conceitos sobre ecologia, inesperadamente apareceu um escritor que tem milhares de fãs. Dos antigos aos novos, sem exceção. Os antigos contam suas histórias e os novos se encantam com elas. Estou falando nada menos do que do Ziraldo. Uma pessoa que nunca deixou de ser criança. Super simpático e atencioso com as crianças. No meio da surpresa ele resolveu abrir-se para perguntas feitas pelo auditório, imagine que tipo de perguntas pode fazer uma criança entre 8 e 10 anos. Tívemos perguntas como: "Qual foi sua primeira história?" "Qual a sua melhor história, sem valer o Menino Maluquinho?" Durante as perguntas ele ria bastante e se encantava com as crianças dizendo que 9 anos é a melhor idade. A grande pergunta veio de uma menina de 9 anos (claro né?) que questionou o início da vida literária de Ziraldo. Sim, ela perguntou como ele começou a escrever. E ele respondeu:
"Na sua idade eu tinha uma professora que não ensinava nada! Ela trancava a porta, sentava no lugar dela e lia romances, sabe aqueles de banca de jornal? E pra gente ele dava gibis. Que segundo o padre da igreja ali do bairro, era pecado ler gibis, porque falavam de guerra, greve e essas coisas. E porque era proibido, ai que a gente gostava mesmo. Um dia a gente pediu pra que ela lesse os romances dela pra gente, e não é que a gente gostou? Ai toda aula a gente revezava e cada um lia um pouquinho - E o Ziraldo dizia para as professoras 'não ensinem nada, deem livro pra essas crianças'. E exatamente por causa dessa professora eu comecei a escrever. E quando eu tinha por volta de 18 anos a galera da minha idade dominava a cidade, porque éramos os pensadores, os leitores, e isso, nos tornavam diferentes".
E terminou dizendo.
"Estudar é bom e ajuda, mas o mais importante é ler. Professores deem livros para os seus alunos e não ensinem nada. Porque como você vai explicar para uma criança o que é objeto direto ou indireto, se objeto é uma coisa que eles não podem tocar? Você vê alguém falando 'Gosto você', 'Mãe gosto você'. Ninguém fala assim, e a criança não sabe se que o verbo é transitivo direto ou intransitivo. Então ensinem as crianças a lerem".
Acho que ouvir isso me deu um pouco do gosto de ser criança e da minha vida antes da gramática, eu me sentia um milhão de vezes mais livre para escrever do que atualmente, sinceramente travo com todas aquelas nomeações para uma mesma frase. Não acredita então imagina decorar isso: Sujeito, predicado, núcleo, objeto direto e indireto, oração coordenada, oração subordinada, coordenada sindética e assindética, verbo transitivo direto, transitivo indireto, transitivo direto e indireto, adjunto nominal, advérbio adnominal e todo os restos que os gramáticos usam para se separarem das pessoas comuns. Eu odeio gramática, sim ela ajuda, mas eu a odeio.

E ouvir um mestre da literatura dizendo que o importante é dar assas a imaginação, foi um empurrão para o retorno a antiga vida. Tenho que trabalhar esse isolamento cerebral, onde esqueço da maldita pra apenas escrever, e escrever por prazer, como antigamente fazia. 



Palhaços

7 de set de 2010
Sabe o vento... Aquele que sopra para todos os lados?
Invejo-o. Tenho vontade de sumir como ele some
De pegar outra direção e mudar a história.
Qual é o maior desafio para um palhaço?
É tentar não mostrar para o mundo,
Que atrás dos olhos que brilham
Esconde-se um precipício de angustias.
Não mostrar que atrás das cambalhotas
Está um mundo que gira sem sentido,
Que busca ferozmente uma resposta.
Dizer sem falar nada
Que ele é treinado para fazer malabarismo,
Mas que por detrás do equilíbrio habilidoso
Existe uma pessoa maravilhosa
Que tem como única certeza
Saber que sua felicidade
Vem das risadas de sua platéia.
Porque o espetáculo é um momento íntimo
Que ele aproveita para fazer as pessoas felizes.
Respeitável público! Que comece a algazarra,
Que todo o mal vá para o raio que o parta
Mesmo não sendo, todos os palhaços, felizes...
Todo o resto faz parte da brincadeira.
 
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