Junho 2011 | Bang Bang Escrevi

Resenha: Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley

20 de jun de 2011
 “é o segredo da felicidade e da virtude: amar o que se é obrigado a fazer. Tal é a finalidade de todo condicionamento: fazer as pessoas amarem o destino social a que não podem escapar”.
Podia terminar a resenha agora, essa frase resume o livro, porém não trata do verdadeiro sentido de Huxley ter o escrito. O contexto social é perplexo, estamos no período entre guerras (1931), onde os avanços tecnológicos proporcionados pelos equipamentos militares condicionam as pessoas a um auto-encarceramento privado, tornaram-nas escravas da tecnologia e da comodidade, e como, nesse período a busca pela felicidade é intensa e o medo de uma Segunda Guerra é inevitável, ele criou em seu livro uma pseudo-sociedade dividida em castas do Alfas-mais-mais ao Ípsilons-Menos, onde cada um desde o seu nascimento já sabe qual é o papel que desenvolverá na sociedade. 

Nascimento não é o termo correto, uma vez que as crianças não nascem e sim são decantadas, criadas em bocais (ambiente líquido em que a criança se desenvolve), logo após a formação completa elas passam a serem estimuladas a sentirem prazer, e para diminuir as chances de crimes passionais eles são condicionados por hipnopedia, ensino durante o sono, na verdade, repetição maçante de frases que futuramente usarão para definir algo dentro da sociedade, como “cada um pertence a todos” quando estiverem querendo exclusividade em um relacionamento ou “mais vale acabar que consertar” no momento de substituir algo velho e por meio disso a sociedade alcança sua tão desejada felicidade, mas a que preço?

Para tal felicidade o Estado só cobra a liberdade e o pensamento livre. Para contornar qualquer tipo de atentado contra os seus pilares “Comunidade, Identidade, Estabilidade”, inventaram uma droga capaz de propiciar uma fuga da realidade, o Soma que é utilizado continuamente no livro toda vez que alguém acha que não pode lidar com frustrações ou com seus próprios pensamentos. A fé perdeu seu papel e como não existem nascimentos, não existe a dependência e a exclusividade entre pais e filhos. Todo o mecanismo é eximiamente eficaz e mantêm a sociedade nos parâmetros da pseudo-felicidade. 

Outro ponto do livro é o continuo embate entre Anarquismo contra o Estado e Capitalismo contra o Socialismo e vice-versa, alguns dos personagens principais e outros não t;ao principais assim possuem nomes e sobrenomes iguais ou que fazem alusão ao dos principais militantes da época como: Bernard Marx, Lenina Crowne, Polly Trotsky, Sorojini Engels, Hebert Bakunin etc. Acredito eu que isso não foi mera coincidência.

O livro é indicado para quem quer se aventurar no universo da liberdade, o prazer por pensar por si só, existem poucas perguntas respondidas no livro, exigindo do leitor uma grande reflexão quanto ao que acontece na história, fazendo-o se questionar o quanto é ético e moral toda a história, posto no contexto em que acontece.
Não é muito difícil descobrir a nacionalidade do escritor, uma vez que, compulsivamente durante o livro cita Shakespeare em quase todos os capítulos.

Em meio de tantas citações vou citar outra que definiria o livro para encerrar a resenha.
“A família, monogamia, o romantismo. Em toda parte o sentimento de exclusividade, em toda parte a concentração do interesse, uma estreita canalização dos impulsos e da energia. – Mas cada um pertence a todos”.
E é isso ai, Boa leitura.
 
Bang Bang Escrevi | Todo conteúdo está sob a proteção da licença Creative Commons 3.0.