2012 | Bang Bang Escrevi

Balanço Cultural 2012

31 de dez de 2012
Como fiz ano passado, vou repetir a tradição esse ano.

Poesias (séries)


Sonetos dos Sentidos
O Urro

Livros


Coleção Itaú de livros infantis - Projeto: Eu leio para uma criança
Poesia na varanda – Texto: Sonia Junqueira. Ilustração Flávio Fargas
Lino – André Neves
O ratinho, o morango vermelho maduro e o grande urso esfomeado – Texto: Don e Audrey Wood. Ilustração: Don Wood

Projeto de Mão em mão

Contos Paulistanos – Antônio de Alcântara Machado
Missa do Galo e outros contos – Machado de Assis
Nova Califórnia e outros contos – Lima Barreto

Livros em geral


Um estudo em Vermelho – Sir Arthur Conan Doyle
O Signo dos Quatro - Sir Arthur Conan Doyle
Tristessa – Jack Kerouac
Guerra dos Tronos: As crônicas de gelo e fogo - George R. R. Martin
A hora do terror: Drácula de Bam Stoker (HQ) Artes: Eugênio Colonnese. Cores: Miguel Marques e Geraldo Filho

Séries

Novo carter 
666 Park Avenue (infelizmente cancelada)
Alcatraz (cancelada)
Go On
Elementary
Sherlock
Breaking “fucking” Bad
Arrow
Falling Skies
Anger Management (Desisti o Sheen já foi melhor)
Cuckoo
Partners
Sinbad

Filmes


Esse ano fui muito mais ao cinema do que ano passado e cumpri a minha meta de assistir 366 filmes (não necessariamente um por dia).

Top 10 filmes (2012)

Batman Cavaleiro das Trevas Ressurge
Vingadores/Intocáveis
O Hobbit
Ted
Infratores
ParaNorman/A origem dos Guardiões
Dreed
Looper
Marcados para morrer

100 melhores dos 366 filmes


A lista está em ordem cronológica conforme eu vi os filmes então vou colocar em negrito os que merecem maior destaque. 
Link da Lista completa de 366 filmes.


50% “50/50” (2011) 
Metropia (2009)
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres “The Girl with the Dragon Tattoo” (2011)
Histórias Cruzadas “The Help” (2011)
Nosso Irmão sem noção “Our Idiot Brother” (2011)
O Grupo Baarder-Meinhof “Der Baader Meinhof Komplex” (2008)
Os homens que não amavam as mulheres “Män Som Hatar Kvinnor” (2009)

2-0-1-2

O dia amanheceu e é só mais um dia comum na capital. É o último do ano e pra mim parece igual aos outros, as pessoas festejam. Eu não tenho o que festejar. Foi só mais um ano. Vão falar que eu deveria celebrar a vida, mas esse ano eu e ela tivemos um relacionamento catatônico e apático. Eu perdi a minha luz e deixei-a perdida.
Às vezes olho pra trás e me vejo com os ânimos, os gestos e as ideias diferentes, recordo elas e me deparo com um reflexo decadente de tudo. Não condiz. Me perco nesses pensamentos e a quietude me vem como uma faca que atravessa o peito. Perdi a voz, a coragem, a vontade de viver. Penso na ideia de lutar pelos meus objetivos e me pergunto logo em seguida, por quê? A falta de uma resposta soverte todo o pensamento e me pego pensando em nada olhando para o teto, enquanto a minha antiga falta de sono me mantém nessa tortura filosófica. 
Não vejo o sentido nas coisas. Vejo o rio preso entre seus leitos correndo ao encontro do mar e só. Eu sou como uma pedra parada no meio do rio. Não quero entrar aqui em tretas com o sistema, mas acho que não vejo minha existência nele, ou sobrevivência se preferirem assim. No meio de tudo isso vem um sentimento de pena, autopiedade, tudo que um moribundo precisa, mas é passageiro e me encontro nos mesmos cataventos conflituosos. 
Os sonhos são os problemas, eu os alimentei tanto que hoje são pesadelos, não que me assustem ou coisas desse tipo, porém, devoram tudo aquilo que cruza o seu caminho. 
Não gosto de fazer redações de “como foram minhas férias” imagina falar de um ano inteiro. Resumindo: 2012 foi introspectivo, mais uma vez.

Entre o Céu e o Inferno

28 de dez de 2012
Levantou. Não sentia mais vontade de viver ou de lutar pela vida. Tomou um copo de café-com-leite, com dois dedos de leite, porque era tudo o que restava na caixa e não colocou açúcar. Mesmo amargo cada gole era como se fosse o último.

Saiu. Resolveu quebrar todas as regras que tinha imposto sobre si, resolveu se entregar e fazer todas as coisas efêmeras, os vícios terrenos que já tinha deixado para trás há muito tempo. 

Chegou ao shopping onde está o céu e o inferno, mas isso era irrelevante. Passeou pelos corredores, entrou em uma livraria, pegou um livro, leu algumas páginas, conversou sobre o autor com a vendedora e saiu. Sentou na praça de alimentação para olhar as pessoas, seu passatempo favorito, esperava um sorriso ou algo do tipo, buscava algum afeto, mas ninguém sorriu.

Passava a novela na TV quando chegou em casa, sentou na cama que ficava ao lado da cama da mãe e assistiu até darem os comerciais enquanto estava ali não pensando. Deu boa noite e subiu até a casa da irmã para fazer o mesmo, desceu, deu um beijo na cachorra e trancou-se no quarto.

Pegou a mochila, retirou um saco de papel. Abriu-o mostrando uma .38. Lembrou da vida e de tudo que já tinha passado. Colocou o cano na boca, sentiu o metal gelado em seus lábios, sentiu, também, ser dono do seu destino, acabaram-se as preocupações, estava totalmente no controle e adorou essa sensação. Puxou o gatilho.

O estalar seco da agulha no tambor vazio.

10/12

26 de dez de 2012
Não entendo essa necessidade de autoafirmação. Essa frequência exacerbada de atualizações sem sentido algum sobre aquilo que você está fazendo. Uma atualização esporádica aqui e ali, tudo bem.
Mas pra quê essa constância? 
Essa baboseira pseudo-intelectual não tem fundamento. Demonstra um estado profundo de solidão latente do que conteúdo propriamente dito. É muito mais surpreendente ver algo esporádico do que tornar visível que você se tornou um lixo, mais uma mente vazia, gradativamente.

Rascunho de mim

24 de dez de 2012
Depois de algum tempo sem escrever, acho que é normal a insegurança da caneta. Odeio ficar escrevendo sobre o mesmo assunto e por isso dou um tempo, mas nunca funciona.

Nunca fui notável, não tinha nada de diferente, nem alto nem baixo, nem gordo nem magro, nem inteligente nem ignorante. Era comum e a intersecção de todas as qualidades e defeitos. Vivia viajando, não de avião ou de ônibus. Viajando no sentido de nunca estar, realmente, prestando atenção em algo. Era bom em fisionomias e péssimo com nomes e de quebra uma enciclopédia ambulante de qualquer assunto, sabia de muitas coisas sobre várias outras coisas.

Não conseguia mais me apaixonar, era solitário. Adorava a solidão e odiava me sentir sozinho, existe uma linha bem tênue entre esses dois estados, que não vou entrar nesse mérito agora. Morava em uma periferia qualquer da Zona Sul de São Paulo, afinal, nessa cidade de cinza uma favela a mais ou a menos não fazia tanta diferença. Os morros se fundiam com tudo. Fazia outro curso qualquer de uma faculdade mediana e me importava muito mais com meus hobbies do que com minha carreira. Almejava morrer antes dos 30 anos, mas sabia que chegaria fácil aos 50 e isso é complicado demais pra explicar. No geral, as pessoas têm esse desejo de viver muito, eu não, a cama do hospital e o fim da luz do meu cérebro é minha sentença de morte. E não importa a idade que vá para lá, se não tiver certeza de uma recuperação, por favor, deixem-me ir.

Esse desejo, o das pessoas, a fé absoluta em algo ou o inconformismo é tão forte que mesmo sendo um direito seu escolher se quer ficar ou não elas irão fazer de tudo para te manterem aqui, pertenço apenas a mim. Assistindo uma das minhas séries e quem me conhece sabe que são muitas, me deparei com uma das personagens mais arrebatadoras que conheci, Constance Langdon interpretada pela atriz veterana Jessica Lange que disse logo após a sua filha com Síndrome de Down morrer em um dos episódios:
“Um dos vários benefícios de ter filhos é saber que sua juventude não fugiu, apenas foi passada para uma nova geração. Dizem que quando um pai morre, a criança sente sua própria mortalidade. Mas quando uma criança morre, é a imortalidade o que os pais perdem”. 
Acho que nunca vou esquecer isso.
Bem, meu pai já tinha partido e minha mãe era louca, na verdade, muito feliz quando não estava preocupada com dinheiro. Deve ser a penitência das mães na terra nunca largarem o batente, sempre preocupadas com os filhos. Falo de mães de verdades, não dessas infelizes, que colocam filhos no mundo e depois querem ir para a balada extravasar no momento em que os filhos mais precisam de alguém com eles.

E já que entramos nesse assunto, vou logo tratar de eliminá-lo. Dinheiro. Não trabalhava, porque o mundo, sociedade ou escambau que fosse me obrigava a trabalhar em um lugar que eu não queria apenas para que eu tivesse dinheiro. Atribuí a mim um estilo de vida mínimo, sem luxo algum e eliminei a maior parte das vontades humanas criadas pelo maldito sistema, tendo assim de despesas comigo as que eram as básicas da casa. Não tinha mias uma religião, mas acreditava em uma força superior (Come to the Dark Side) que orientasse as coisas. É estranho pensar que tudo esta à deriva e é desesperador achar que Deus é um manipulador de fantoches e ficar discutindo isso tira o sentido da vida.

[fim da conexão]

Corpo-a-corpo

7 de dez de 2012
Fico aqui imaginando, enquanto não pego no sono, e provavelmente por causa dessa imaginação nem seja arrastado por ele.
Crio situações com você que te deixaria com vergonha. Mas por outro lado, louca. Imagino uma rapidinha quando você chegar, antes que eu tome banho. E que durante o banho o desejo retorne e quando sair role uma mais longa com você me pegando de súbito quando entrar no quarto só de toalha.
Te acompanhar ao céu, fazendo amor/sexo, fodendo com você - desculpe baby, mas essa é a palavra certa - loucamente. Por cima, por baixo, de lado, de quatro. Puxando seu cabelo, mordendo sua orelha e dizendo que adoro foder você. Te dar uns tapas, porque você tem sido uma menina muito má. Colocar meus dedos na sua boca. Te prender. Masturbar você até que não aguente mais e te foder novamente. Te chupar por inteira. Seus seios, principalmente, já que tanto te dá prazer. E encharcar (sua buceta) você de tanto tesão.
E depois no meio da noite ir ao banheiro e voltar na ponta do pé pra ficar admirando esse seu corpo moreno semicoberto na minha cama, com todos os defeitos e qualidades que possui. E pensar sombriamente com todo meu ego que tudo aquilo é meu, que você é minha, que te possuo.
Eterno e por um fio. Hã?
E voltar a entrar debaixo das cobertas e te acordar com carícias para mais uma sessão de lambidas, mordidas e sucções e te deixar dormir depois, se conseguir. Se e somente se.
Esperando que de manhã você retribua me despertando com um boquete matinal cheio de segundas intenções de entrar em um frenesi maluco de corpos e foder como dois animais com a luz dos primeiros raios de sol.
Mas freio minha imaginação por lembrar que meu apetite sexual te irrita. 

Chuva no decote

26 de nov de 2012
Chega toda molhada, água da chuva
com o colo à mostra no decote.
É um belo par de peitos, penso.
Cabem bem nas mãos - imagino.
Sou só um admirador por hora
relatando a beleza que tenho agora
diante dos olhos famintos
que estão a consumindo, e ela nem nota.

O urro - V A humanidade

10 de out de 2012

V – A humanidade

E os homens, perdedores,
nunca perderam a esperança de uma vitória.
Tentam em vão, através da ciência, vencer os imortais,
mas iludem-se quando acredita
que ainda não foram vencidos.
por mais que se consiga a morte
que se extingue da vida a sua luz
continuamos apodrecendo em carne
e sobrecarregando nossa alma.
Até se alterar tanto ao ponto de não se reconhecer.
Ser você, mas não ser.
E perecer em um eterno e inacabável 
êxtase de achar que venceu.
Quando no tabuleiro perdeu,
pois tudo que identificava você
e tornava o que é: definhou.

O urro - IV O Tempo

8 de out de 2012

IV – O tempo

E o tempo ria em seu trono.
Ria da morte, de Deus e de toda a humanidade,
porque ele nunca precisou de desculpa para existir.
Intocável, imensurável e indestrutível
levando tudo e todos
pela carne ou pelo esquecimento.
O verdadeiro executor, frio e analista,
que joga tão bem o jogo da vida
que espera até você se autodestruir 
pelo tédio, pela ansiedade ou por uma falha
na perfeita máquina vital.
Então, ele recolhe seus lucros e ri.
Ri eternamente.

O urro - III A sociedade

6 de out de 2012

III – A sociedade 

Espero que ao cruzarmos a última fronteira
não tenhamos que levar nossas memórias,
porque no amago mesmo os ilustres 
se tornaram por capricho desprezíveis.
Gritando suas ideias nas esquinas
até elas os levarem a morte.
Não a Implacável, mas a que os homens idolatram.
A que imita ridiculamente o controlar dos ponteiros
despertando o executor em seus circos
para um café-da manha de almas adiantadas
onde a vida nada vale ou valia demais.
Se inocentam sobrepondo-se umas sobre as outras
até que se esgotam e notam
em seus poços cavados a próprias palavras
que com eles ninguém se importa
e foram largados a sorte 
esperando a inevitável derrota.

Resenha | A Guerra dos Tronos, George R.R. Martin

5 de out de 2012
Título Original: A Game of Thrones
Saga: As Crônicas de Gelo e Fogo
Autor: George R.R. Martin
I.S.B.N.: 9788562936524
Altura: 24 cm.
Largura: 17 cm.
Tradução: Jorge Candeias
Número de Paginas : 644
Editora:  LeYa
Avaliação:

Sempre tive a vontade de ler o livro, acabei, por azar, assistindo a série antes, não que seja ruim, aliás, é bem fiel a história e achei que foram poucos os cortes em relação ao texto original. Mas não há discussão. A literatura supera a série de TV.

Primeiro não é Tolkien e na série já tinha percebido isso. Guerra dos tronos é exatamente o título, uma guerra pela cadeira de ferro forjada com as espadas dos inimigos com fogo de dragão. É a velha história de reis regada à traição, honra e fantasia. Não fantasia besta e infantil – o que o livro não é -, uma fantasia que trás os velhos animais míticos como dragões e lobos gigantes, raças humanas que controlavam os elementos e raças não-humanas que só morrem com fogo e são mais frios que o próprio inverno. Sem falar em toda sua estrutura, as casas, os nomes, lemas, terras.

O urro - II A morte

4 de out de 2012

II – A morte

Esse é apenas o começo da decadência.
Desse sentimento de consentimento complacente
que no fundo negamos, mas como conforto
é tudo que possuímos.
A implacável morte retorna
para arrancar da carne fétida e rançosa
a luz fraca da alma que jazia na alcova.
A morte. O anjo que Deus não pode controlar.
Tão antigo como ele no seu jardim de lego 
desde o princípio já costumava brincar.
De onde Deus surgiu eu não sei
Mas que sua sombra sempre foi a morte nunca duvidei.

O urro - I O caçador

3 de out de 2012
O Urro é um poema inspirado no filme "Howl" que conta a história de Allen Ginsberg que escreveu uma releitura do mundo no livro que chamou de "O Uivo". Dividi o meu em 5 partes e postarei-as durante as semanas - leia: "quando me der na telha" - até que acabe.

I – O caçador

Somos caçadores solitários.
Caçamos durante toda a vida.
Somos muralhas diante do abismo
que construímos com nosso orgulho.
Somos apenas caça no fundo,
porque, na verdade, não conseguimos ser caçadores.
Somos apenas presas fáceis diante da foice
da temida e implacável morte.
Por isso traçamos a vida insipida
inodora, invisível, intangível e inaudível.
Esquecemos de nós e não gritamos enquanto 
ouvimos imóveis o urro da nossa alma.

09/12

25 de set de 2012
A cidade que não adormece a anos funcionando sem cessar. Se você é daqui entende que falar de São Paulo é um longo conto de amor e ódio. Porque você odeia o trânsito, a chuva, as pessoas e a imponência dos edifícios quando você está nas entranhas dessa máquina incessável, dessa coisa que tem vida própria. Uma vez fora lá na sua casa ou na janela do seu apartamento você adora o barulho que a chuva faz, as luzes dos carros no trânsito, a arquitetura eclética das construções ou até mesmo a imponente inglesa estação da Luz. São Paulo a cidade dos artistas de rua. Gente que vem de tudo quanto é canto do país pra tentar a sorte aqui. Os sonhos daqui são como as estrelas no universo. Espalhando-se pela imensidão de concreto e aço. Sobretudo o contraste do que se é observado aqui é igual o que se tem em todo o planeta em qualquer cidade desenvolvida. São Paulo é só mais uma que perdeu toda sua excentricidade. A excentricidade existe, mas é normal.

Só um pedaço de um texto velho

Resenha: Projeto de mão em mão

18 de ago de 2012
Como já falei disso em outro post, volto dessa vez para falar sobre os livros que estavam sendo disponibilizados, terminei os três livros e vou fazer um breve resumo do que achei. Lembrando que nunca fui fã de contos.


Missa do galo e outros contos – Machado de Assis

Machado é machado. Sempre cortante com sua ironia cotidiana, tenho a impressão de que ele acordava e dizia “belo sol” só pra ironizar com o corpo celeste. Os contos do Machado vão de histórias cotidianas sobre como as pessoas lidam umas com as outras a contos de amor proibido com mulheres casadas. O conto que mais gostei foi “A igreja do diabo” onde o autor constrói um templo do dito cujo com o intuito de roubar os fiéis da igreja católica, isso, sem falar em clássicos como “uns braços” que li quando ainda estava na escola em uma coletânea de contos que hoje em dia é distribuída de graça e a galera não aproveita. O mais interessante de ler Machado é que ele faz uma releitura da vida e expõe facilmente as angústias dos personagens e você passa a sentir o que eles estão sentindo. A seleção de contos foi muito eclética proporcionando ao leitor uma pitada de amor, medo, culpa e genialidade.

A nova Califórnia e outros contos – Lima Barreto

Barreto era do povo e acho que o autor brasileiro mais criativo que conheço, no quesito imaginação é unanime e você percebe isso quando lê “O homem que sabia Javanês” e o “Congresso Pan-Planetário”, ele dominava a arte de falar simples, mas complicado e enrolar tudo em uma bola de linha sem fim, muito bem elaborada em “Como o ‘homem’ chegou” na sua gaiola de ferro viajando pelo Brasil, sem falar na avareza de “Hussein Bem-Áli Al-Bálec e Miqueias Habacuc” e em “A nova Califórina”. Os preferidos da coletânea são “A biblioteca” que tem como protagonista um pai que herda uma biblioteca e que sonha em ver um dos seus filhos se afundando em todo aquele conhecimento e “Por que não se matava” onde o suicida tem dúvidas sobre seu legado pós-morte. 

Contos paulistanos – Antônio de Alcântara Machado

Alcântara relata em seus contos as diferenças culturais entre paulistas e descendentes italia-nos e como eles se relacionavam na cidade. Interessante é ilustrar isso no esporte com um clássico Corinthians contra Palmeiras (palestra) sendo um time fundado por operários e o outro por descendentes de italianos. O livro é dividido em duas partes a primeira fala de um contexto geral, um cenário digamos assim e a segunda de pessoas com personalidades ou características especificas. O texto tem uma leitura rápida, como Alcântara diz a coletânea nasceu de uma coluna de jornal e evidentemente você sente isso enquanto está lendo. Os preferidos ficam para “Artigo de fundo” onde ele fala da mistura de raças em São Paulo A birra da “Lisetta” e a surra que ela leva por isso, bem coisa de italiano – eu que bem sei por ser ascendente de uma família italiana - e a excentricidade do personagem Washington em “O patriota Washington”. Em suma terminei o último livro esperando que o projeto retorne com mais autores, só que com histórias no lugar de contos. 

Nota sobre o projeto:
Acho que todo leitor assíduo vai concordar comigo, mas é um pé no saco ter que ficar indo ao final do livro verificar nota de página.

Essencial

16 de ago de 2012
Essa noite remexo-me impaciente 
sinto-me da noite em claro um fiel cliente
com saudade do meu amor de pele morena,
coisa que comprime e deixa m’alma pequena.

Passamos a semana à sombra do nosso reencontro.

Sobreviver à passagem dessa tempestade,
porque a tempos nos seus braços me encontro
e angustiado fico com essa necessidade.

como se tirassem todos os peixes do mar,

da vida a parca capacidade de amar,
o oxigênio sorrateiramente furtar
e de cinza o lindo céu azul, pintar.

Não exagero na analogia supracitada.

É tirar de algo aquilo que lhe é essencial
tornando a defesa de muralha desfalcada
sendo irreconhecíveis á sensibilidade vital.

Anseio pelo atrito do nosso abraço.

Pelo beijo que fere a saudade e me refaço
tentando fazer o tempo passar mais depressa
para ter-te a mim completando o tanto que resta.

Séries | Como Sherlock escapou?

1 de ago de 2012

Spoiler Alert

Comecei a acompanhar a série da BBC e bem, já terminei. Essa série possui alguns diferenciais, além de ser surpreendente, o tempo dela é diferente. Estou acostumado com séries que tenham entre 20 a 50 minutos, cada episódio e normalmente cada temporada com 10 ou 12 episódios. Sherlock tem 3 episódios e 90 minutos cada, isso são 3 filmes.

Idios #06: Mandela, Filme e Poesia

22 de jul de 2012
Bom, hoje vou falar de um dos meus ídolos.O Prisioneiro 46664 ou o 466º de 1964: Nelson Mandela.

Pra mim ele é o maior símbolo de luta, esperança, liberdade e afins da minha geração. Se existem heróis esse cara é um deles. Mas e aí o que ele fez?


Bem, ele era negro, não que isso seja o importante, mas ele era negro no regime mais segregador que existiu após a Segunda Guerra Mundial. Onde a diferença étnica era explícita e aceita na sociedade. Exemplos: Os ônibus tinham lugares nos fundos reservados para negros - quando paravam - os da frente, assim como todos os outros acessórios públicos como
 bancos,  bebedores etc. continham placas com os dizeres "White only", e todo negro devia portar um passe que dava acesso as zonas denominadas brancas.

Mas não é disso que quero falar. O motivo disso é o filme exibido esses dias, Invictus. O filme trata de um time de rugby que pretende ganhar a copa mundial e precisa de inspiração, como presidente da nação Mandela vai inspirar esses garotos. Já que é um filme, tem todo o encanto de sempre e os desfechos paradoxos, mas o interessante no filme e o que vim trazer para vocês é uma poesia de 
William Ernest Henley que dá nome ao filme.

Clique aí em continuar lendo para ler a poesia.

Peter Pan e Amélie Poulain

21 de jul de 2012
E tem essa, a menina com jeito de Cinderela
que saiu do conto de fadas “a história de Isabella”.
Com toda sua meiguice e timidez de princesa
e seus modos e gestos de garota francesa.

Acha ser pacata, pequena e de existência vã,
mas nem imagina o tamanho que agora vem,
pra perto do menino que escreve, Peter Pan.
Que sempre espera o melhor que ela tem.

Peter, o Pan, deveras apaixonado por ela é
e levá-la pra terra do nunca com razão quer
a espera, como o livro diz, na janela em pé
e quem sabe descobrir seu lado mulher.

O mais profundo Desejo da imaginação de um louco são
que pela Miranda, Sininho e Poulain tem admiração
e devoto o cavalheiro de armadura é dessa trajetória
a esperar que para princesa seja mais do que memórias.

E da parte que se diz são louco o é por também ter                       
todos os fetiches intrínsecos dos contos de fadas
estancados em seu peito pela lâmina de uma adaga
Que ânsia pela satisfação de os cometer.

Café, estrelas e olhos azuis

20 de jul de 2012
Vou encontrar com você onde se esconde em Limeira.
De lambreta na estrada a noite inteira atrás de um caminhão.
Descobrir que você mora, assim quem sabe, em uma ladeira
e te entregar, se quiser, de bom grado o meu coração.
Mas antes de aceitar qualquer coisa, me ofereça um café
que a gente olha pro céu procurando uma ou duas constelações
enquanto te puxo pra perto pra te fazer um cafuné,
quem sabe até arrisque cantar algumas canções.
E pra mim esse excêntrico cabelo cor pastel
que dentre meus gostos não tem o doce do mel,
mas se em tanto comigo você se assemelha
Vamos dormir aqui fora porque no teto não tem telha.
Na verdade, sem grandes expectativas tudo vale a pena,
sair de casa e ir pela estrada encontrar uma pequena
que tem os olhos mais lindos que já vi da cor do céu
e do crime de tentar conquistá-los com certeza sou o réu. 

Sanguessugas

19 de jul de 2012
Um bando de sanguessugas é só o que somos para você
sem vitórias, derrotas ou glórias nessa estrada de histórias.
Pessoas que só querem tirar da sua velhice a paz e tranquilidade
Como se preferisse que fossemos apenas memórias.

Arrumando desculpa pra abandonar o lar, como se quisesse ficar.
Cansada de trabalhar por que tem contas com juros para pagar.
E onde entra a parte que não ajudo? Como filho, também não me iludo.
E é só uma questão de tempo até cada um pegar seu rumo.

Tão fácil para uma mãe falar, tão duro para um filho ouvir
com tanta insistência e ênfase a fazer-te desconfortável
de ter um teto sobre a cabeça que te sufoca e te faz sair.
A questão aqui não é fugir, se nos quer fora, é só pedir.

E vem com esse papo corriqueiro apenas com a intensão de ofender
os filhos que felizmente nunca fizeram realmente por merecer.
Agora responda a questão com a dedicação que tem com a labuta
O que serão os filhos se não sanguessugas?

Resenha: Sr. e Sra. Smith

9 de jul de 2012
Um livro de leitura fácil e agradável. A história mostra um casal de agentes assassinos que trabalham para agências rivais em um casamento em crise. 

O livro foi escrito graças à ajuda do Dr. Mark Wexler, consultor de casais que ajudava John e Jane em um tratamento que ela arrematou em um leilão.

Como eles tinham dificuldades para falar do casamento um na frente do outro o Dr. Wexler propõe que eles escrevam, o que dá origem ao livro.

O casal se conhece em uma missão em Bogotá, tem um namoro relâmpago e decidem se casar sem saberem a verdade de um sobre o outro. Mas com o passar dos anos essa chama apaga e o casamento cai na rotina, afinal uma casa perfeita, tudo que o dinheiro pode comprar e o status social cansa e enfadados começam a se ignorarem e voltam-se cada vez mais para seus trabalhos.

Jane, linda, sexy e competitiva. John, atlético, atraente e sedutor. Ela atua como CEO em uma empresa de informática e ele é sócio de uma grande empresa do ramo de construções, ambas funcionam como fachadas para seus verdadeiros trabalhos. Ela sai muito à noite pra resolver problemas em servidores da Wall Street e ele viaja muito para Atlantic City para resolver problemas de última hora em seus contratos.

O livro é divertido por mostrar esses conflitos entre os casais e longe do filme é cheio de palavrões e coisas que pessoas normais dizem. Jane é sarcástica e irônica e o John é divertido e cheio de piadinhas. O filme foi fiel a história e mostrou bem o lado do casal, além disso, eu não vejo no cinema atual casal melhor para encenar Jane e John do que Angelina Jolie e Brad Pitt. Pra mim que li o livro depois de ter assistido o filme é quase impossível não imaginar os atores narrando às cartas, o que torna o livro ainda mais divertido.

O livro é engraçado e cheio de ação do começo ao fim, isso é claro, pra quem é fã de histórias de amor impossíveis e cheias de desafios.

Detalhe para a capa do livro, sim, são duas capas e você pode deixá-lo na prateleira mostrando o seu ator preferido.

Ela e ele

27 de jun de 2012
Ela era a tese e ele a antítese por sua vez.
Dois pontos distintos de uma mesma ideia
do jeito que o engenheiro assim os fez
e sempre se complicam quando têm plateia.

O ponto e o tão obstinado contraponto
A nunca se chegar a um argumento comum
de tamanha insistência a deixar alguém tonto
e terminar de tomar toda uma garrafa de rum.

Mas quer saber... No final eram perfeitos
um para o outro completamente feitos.
Sem começo meio ou um ponto final
apenas as histórias deles sem lição de moral.

Eram como frango e macarrão, arroz e feijão,
fogo e material com potencial de combustão.
E ninguém poderia simplesmente entender
o que era complicado até mesmo para eles deter.

Por isso se tocaram e incendiaram o ser,
abraçaram-se como polvos no pertencer
e fizeram amor como dois animais
Porque era assim que se amavam, sem mais.

Poltrona

25 de jun de 2012
Éramos ex-namorados e há tempos não nos víamos, nos encontramos por acaso no shopping enquanto ele saia do cinema e eu olhava roupas. O convite para ir a casa dele foi inevitável e eu como não tinha nada a perder, aceitei. Jogávamos conversa fora sobre os bons tempos. Ele havia se mudado, morava agora em um apartamento em cima de um comércio no centro de São Paulo.
Era penumbre, decorado com um papel de parede da década de oitenta e iluminado com poucos abajures de canto, não havia iluminação central. Tinham poucos móveis. O costume de dormir no chão permanecia e o colchão pousava estirado sobre o chão de tacos e ao seu lado uma poltrona daquelas antigas com estofamento vermelho. Ofereceu-me Lambrusco e me surpreendi que ainda lembrasse os meus gostos. Aceitei e falávamos ao parapeito enquanto olhávamos para a imensidão nublada do céu da cidade. 
Não mudara muito, continuava com o cabelo e a barba por fazer. Instiguei que tinha emagrecido e respondeu que era por causa do cigarro, mas não perguntei desde quando. As horas se prolongavam e eu comecei a ficar animada por causa do álcool e ele só ria de mim. Compliquei-me com um tapete e quase caí, quando fui amparada pelos seus braços. Não sou daquelas de beber e perder a consciência e confesso a essa altura que a luz, o colchão e aquela barba já tinham me deixado excitada. Aproveitei o momento e beije-o.
Alguma coisa tinha mudado e ele não era mais o homem tímido que eu tinha conhecido, estava confiante. Levou-me delicadamente pelo cotovelo até a cama. Deitou-me e despiu-me olhando cada parte do meu corpo. Arrastou a poltrona e a prostrou de frente pra cama e ficou me olhando, fiquei envergonhada, mas não disse nada. De repente me pediu doce, mas viril que me masturbasse. Tomei um susto de imediato, mas a ideia de fazer isso olhando pra ele sentado na minha frente me deixou louca e comecei a me tocar. Nunca gostei de masturbação por achar frio. Hoje não tinha nada a perder. 
Passou-se um tempo em que estava me recreando ele levantou. Perguntei aonde ia e me respondeu apenas que continuasse. Demorou alguns poucos minutos e voltou trazendo uma tira de cetim e um recipiente que continha óleo para massagem. Pediu que sentasse e quando o fiz veio por traz de mim e vendou-me. Deitou-me e foi para perto das minhas pernas. 
Esfreguei o óleo em minhas mãos para aquecê-las e comecei a acariciar sua barriga, como ela estava linda desde a última vez que eu a vi. Estava uma mulher feita. Subi para seus seios e escorregava minhas mãos sobre eles e sentia ela se arrepiar, descia novamente e ia para as virilhas e subia. Que imagem perfeita. Ela deitada ali submissa, sem saber pelo o que esperar. Untei mais a minha mão e fui brincar com seus lábios maiores passando o dedo entre eles e os menores repetidas vezes. Pressionava, apertei o clitóris e fazendo movimentos circulares leves, com o peso de uma pena, e continuadamente. Introduzi um dedo e acariciava sua vagina por dentro. Ela se contorcia na cama, mordia os lábios, gemia. 
Deus do céu o que esse homem estava fazendo comigo? Eu me perguntava, não tinha coragem de falar nada e não tinha tempo, toda vez que pensava em algo para dizer me vinha aquela sensação de me perder no tempo e espaço. Estava entregue e ele poderia fazer o que quisesse. 
Voltei a brincar com seus seios, para lhe dar tempo de se recuperar e fui com a boca ao bico do seu peito, dando leves mordidas de um para o outro e do outro para o um. Desci beijando sua barriga indo direto as virilhas, como as adoro e sei que as deixam impacientes esperando serem logo devoradas. Não me apressei e brinquei o quanto pude ali, até finalmente ir lamber toda a extremidade da sua vagina, ia de baixo para cima, pegava o clitóris e fazia pressão com os lábios e a língua, descia e introduzia a língua quente nela que se revirava na cama. Acompanhei por um tempo seus movimentos de quadril até um gemido sufocante aparecer e ela descer exausta ao encontro do lençol.
Ela sorria e não era para mim ou qualquer coisa ali dentro. Era interiormente, sorria para si. Ofereci-lhe água, mas tive a impressão de que ela não teria me escutado. Sentei na poltrona e fiquei observando a beleza da mulher que contraiu seus músculos e tinha alguns movimentos de reflexo nas pernas. Demorou um tempo e voltou a si.

O descaso

22 de jun de 2012
Novos amores! Grita na varanda a flor da vida
Negando aos protagonistas a sua existência
não seja assim intrometida.
se no erro já possui a sua vivência.

A um lado o subentendido só irrita.
Entendo as espadas em defender a ferida,
mas sinceramente ainda não é da sua conta
Doce flor... Querida.

O lado... Que toma cuidado e não grita aos ventos
e tem a paciência de ser e de esperar
pra não machucar os sentimentos 
de quem no conflito de ideias ficar.

Peço o descaso de quem nada a ver tem
pra não ter que ler o que não convém.
Porque quem coisas bonitas sabe escrever
tem na palavras a arte de insultar também.

Peço desculpas se assim maltrato
e se não é merecido esse desagrado.
As condolências de quem não espera
ter outros problemas por falta de cuidado.

Marcas

Ei moça? De onde você apareceu?
Com essa sua boca de batom vermelho.
Anda cá, venha colar esse sorriso no meu
se arruma pra mim como se fosse seu espelho.

Venha, que vou te apertar tão forte (mas tão forte)
não precisamos, nesse inferno,  contar com a sorte
é somente eu, você e suas tatuagens
manchando minha boca, colarinho e cós de maquiagem.

Incendeia agora esse perverso desejo 
que é tão breve quanto as batidas do coração,
a missão essa noite é roubar-lhe um beijo
e compartilhar com você o mesmo colchão.

Enrosca em mim esse seu cabelo cor de fogo
Deixa o sol, com inveja, nos acordar assim
quando acabarmos esse nosso jogo
e marcarmo-nos um na pele do outro por fim.

Não Adormeço

18 de jun de 2012
Há dias que não consigo pegar no sono facilmente,
encosto a cabeça no travesseiro e não adormeço,
tendo ideias ingratas martelando na minha mente
e bem, desse perjúrio, isso ainda é só o começo.

Essa insistência barata como o reflexo da vida ingrata
cheia de cobranças que socialmente não vão acontecer.
O afogamento da vida, que em vão, a liberdade relata.
A asfixia da alma, que nesse mundo, há de perecer.

Por isso sou assim, recluso e recuso o ser humano,
Tenho mais em mim o que devo fielmente proteger,
“todos os desejos do mundo”, se me permite dizer
e tenho que realizá-los antes do meu corpo frágil falecer.

E agora, nesse instante, pra ser friamente franco.
Desejo a quem me ferir que sofra também um solavanco,
enquanto limpo a minha alma e reconquisto meu descanso
lavando minhas entranhas em uma gélida página em branco.

Deixa estar

17 de jun de 2012
Fica, mas não fica por ficar.
Fica, por que na minha vida quer estar.
Sei que é difícil isso entender,
Mas, no momento, é tudo que tenho pra oferecer.

A simples ideia de uma obrigação inquieta meu coração,
pois ter você é o que basta pra minha solidão.
Mesmo sem ter um título a cargo de vínculo social...
Lá fora, te garanto, não encontrará amor igual.

E não digo pelas selvagens assas da liberdade
que tornam impossível o coração controlar.
E ainda assim, se não apareceu ninguém nem pra você nem pra mim
é porque estamos com quem no fundo queremos estar.

Porque no fundo nos pertencemos sem que o mundo saiba
e essa tênue linha da verdade é o nosso fio de ouro
que você por insistência  está prestes a romper
e quando perceber será tarde demais para retroceder.

Idios #05: Governo, Literatura e Música.

16 de jun de 2012
Ei Governo, dessa vez não é só para criticar a sua atação. Vamos lá.
Primeiro queria elogiar o programa "De mão em mão" que busca incentivar o gosto pela leitura na cidade de São Paulo colocando estandes em lugares de grande circulação para a distribuição gratuita e sem compromisso de livros de contos de grandes autores da literatura brasileira.
O "portador" do livro só precisa responder 3 perguntas para classificação do tipo de usuários (idade, escolaridade e zona que mora) e retirar o seu livro com o compromisso de passá-lo adiante ou devolver em qualquer um dos estandes.

Os livros

Missa do galo e outros contos - Machado de Assis
Nova Califórnia e outros contos - Lima Barreto
Contos Paulistanos - Antônio Alcântara de Machado

Todos estão revisados no novo acordo ortográfico, possuem glossário para termos de época e um catálogo de endereços úteis com bibliotecas, pontos de leitura, bosques de leitura etc. 
Bom, eu peguei o livro do Machado e sou muito egoísta pra devolver - acho -, então vou ficar com ele lindo na prateleira, mas empresto se alguém pedir. Não, sem antes dizer: Para de ser preguiçoso e passa lá no Terminal pra pegar um pra você. 
Acho que é só isso.
"Mas há idéias que são da família das moscas teimosas: por mais que a gente as sacuda, elas tornam e pousam". (Machado de Assim - Uns braços)
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Entrei em uma onda de guitarras distorcidas e, sendo sincero, não sou um mestre em estilos músicas, mas gosto quando as músicas te proporcionam aquela viagem inexplicável. Então, sem delongas, Três discos para quem quiser dar uma voltinha em paraísos particulares.
Led Zeppelin - Led Zeppelin I [1969]

Nada significante

14 de jun de 2012
E eu fico olhando, no fundo branco, a barra piscar
e nenhuma palavra significante na mente surgir.
Aumento o som para o pensamento não escutar,
insisto em segurar as palavras que querem fugir.

O desejo de escrever pela necessidade de censurar,
mesmo que a censura seja apenas uma precaução
a referência ao zelo que alguém esqueceu de dar
e que agora perde tempo, com conversa de assunto vão.

É difícil interagir quando não se tem o que dizer,
se é certo ou errado, sortudo quem consegue entender.
Não que seja o orgulho rasgando qualquer tentativa
é mais delicado do que possa parecer lidar com a expectativa.

Basta, assim, ao assunto devagar, se recusando, perecer.
No império do silêncio da nossa essência e companhia
tarda a aparecer uma alternativa ao que possa acontecer
e os jovens tristes se afogarem na sua própria melancolia.

08/12

11 de jun de 2012
Não se vem poesia a cabeças inquietas, apenas o caos de uma prosa feita as pressas. Difícil expressar nela subjetivamente que tem algo de errado com o lado de fora. Já ouvi dizer que o silêncio é o mais poderoso dos gritos e mesmo assim não basta calar-se para ser ouvido.

07/12

Gosto da chuva. Gosto das poças de água e de pisar nelas. Ver as ondulações se espalharem por toda sua extensão se chocando com outras. Isso reflete, para mim, a vida. A forma como os pensamentos ecoam sem parar por toda nossa extensão e como as pessoas se chocam e começam a falar sobre coisas que não são importantes apenas para prolongar o primeiro eco.

Sonetos dos sentidos: Audição

2 de jun de 2012
E você simplesmente passa a se encontrar aqui,
Se estender, com sua linda e notável presença.
Dizendo o que pensa, brincando de brincar comigo
e jogando conversa dia afora com o som do seu riso.

Escutamos, na cama, aquelas nossas músicas velhas 
nos entrelaçando e queimando feito parafina em vela,
atacados por aqueles antigos e brutais cupidos
até tudo se render a sufocados e prazerosos gemidos.

E nada disso se compara a doar-se a outrem,
que de bom grado lhe concede o tempo e os ouvidos
para te acalmar de furacões e oferecer seguros abrigos.

Algo melhor nesse pacato e insensato mundo não há
do que ter nessa mesma pessoa que por viés escutar
a possibilidade de com ela sorrir, viver e amar.

Idios #04: Novo código penal x Drogas ilícitas

30 de mai de 2012
A matéria no jornal diz que os juízes que estão elaborando o novo código penal querem descriminalizar o uso das drogas sem nenhuma exceção, bem, não concordo.

A descriminalização é sem dúvida um avanço, mas dentro das drogas, isto é, da cola a heroína, a não punibilidade por lei pode causar grandes danos a sociedade e um problema grave e crônico de saúde pública, uma vez que a pessoa com overdose seja vista como uma pessoa alcoolizada, sem levar em conta que a overdose mata muito mais rápido e com um acúmulo bem menor das substâncias no corpo. 

1) Imaginando que o porte ou depósito para consumo próprio (primeira ressalva: depósito de quanto?) não seja mais crime, o tráfico passa a ser legalizado, quer dizer, a passagem de pequenas quantidades na rodinha de amigos não tem problema, mas tudo começa pequeno não é mesmo? 

2) Todas as drogas? Complicado isso… Já que existem infinitas provas que muitas das drogas sintéticas, a maioria no mercado do tráfico, possuem grandes riscos a saúde. Em contrapartida não param de aparecer pesquisas que apontem que em alguns casos a droga pode trazer benefícios e até ser usada em tratamentos, me refiro exclusivamente a maconha, que não é sintética. Mesmo assim, volta-se ao tópico 1 e imagina-se qual quantidade é considerada “consumo próprio”.

Para mim essa repentina mudança, dá-se ao fato de que o Estado (governos, polícia, mídia etc.) não consegue controlar os fatores que fazem com que as pessoas usem drogas, nem leis, nem a punição, a criminalização e os afins impedem que a pessoa busque sua fuga social. O exemplo mais claro disso está na sociedade, menores abandonados cheiram cola porque têm fome; quem usa maconha, usa pra relaxar; o ecstasy, para quem quer uma aventura, a bebida para socializar e os sistemas repressivos que fiscalizam isso não conseguem dar conta então querem jogar a responsabilidade para os usuários, mais do que certo isso, porém algumas drogas são caminhos sem volta.

Sonetos dos Sentidos: Paladar

17 de mai de 2012
Sua boca tinha gosto de vinho,
no canto a taça que o havia contido.
Em cima da mesa uma garrafa de seco tinto,
nos seus olhos o desejo gritando feito instinto.

Em meus beijos o salubre da sua pele morena.
Não tão salgado que na boca arde ferida pequena,
mas tão intenso quanto o álcool do vinho,
um rastro de desejo marcando o caminho.

O inocente e ingênuo doce de seu olhar
antes que venha a perceber a noite chegar
com o amargo de ser mulher o homem domar.

Saciar-me-ei nesse banquete,
de entrada a prato principal experimentar
e de sobremesa em minha cama te deitar.

Sonetos dos Sentidos: Tato

11 de mai de 2012
Sua pele quente é o que sinto com minhas mãos em seu corpo.
Essa pele morena que incendeia como fogo
nessa brincadeira de amor que chamamos de jogo,
que sempre termina com um dos jogadores torto.

E o psicológico frio para trás deixamos
quando em forma de concha nos encontramos,
os fios de seu cabelo roçam em minha face,
simplificando o momento e desmontando o disfarce.

Nada disso se compara com seus úmidos lábios
que sorrateiramente me tonteiam nocauteando-me
com longos, quentes e doces beijos apaixonados.

Agora nesse inevitável momento de contato,
com a palma da mão sinto do seu coração os batimentos,
de tamanha proporção que é reciproco nosso sentimento.

[O pior do tato não é a explosão do momento é a ausência depois que tudo se vai.]

Sonetos dos Sentidos: Visão

3 de mai de 2012
Vejo a menina dos olhos invadir meu campo de visão
nobre e pequena ganhando destaque entre a multidão,
que me repara e sorrindo caminha em minha direção
enquanto imagino a melhor forma de ter seu coração.

A imagem do seu esforço de parecer uma simples menina,
de conseguir deixar homem sob homem aos seus  pés,
por parecer inocente, mas saber o que quer. Imagina, 
entre quatro paredes ser totalmente mulher.

No seu semblante tento enxergar todas as cicatrizes
de uma vida que não chegou a arranhar nem a superfície,
mas que a mantém calada como se nenhuma ferida existisse.

E me alegro ao ver além do que os outros idolatram.
Nos olhos e nos lábios da menina dos meus olhos
um lindo sorriso brotar depois de uma triste lágrima.

Sonetos dos Sentidos: Olfato

30 de abr de 2012
Seu doce cheiro vem forasteiro embriagar a noite
com o objetivo de tirar meu sono como uma foice.
Feito nota musical que transita pelo ar leve e solto,
tão bom, tão pouco e tão impregnado na roupa.

A perdida comida que o cão busca com seu focinho,
o alguém na multidão que busca um caminho.
A andorinha que depois do inverno vem refazer seu lar,
o pobre homem deitado em sua cama com o coração a dar.

Mas não tarda ao coitado seu destino encontrar,
nos limites do improvável o que possa acontecer
e antes de que possa perceber o inebriante cheiro doce voltar.

Mas também não tarda ao pobre homem adormecer,
e esquecer que nesse breve momento a dormir está
venha assim  a justiça da paixão agir e com a linda donzela sonhar.

Minha natureza selvagem

27 de abr de 2012
Engraçado é a forma que as coisas começam. A não intenção de começar evaporando e o desejo nos consumindo. Sexo é como uma pintura, um desenho do artista quando junta todas as memórias e com ódio, zelo, raiva e amor se torna o selvagem diante da sua tela e pinta todo o seu sentimento.
Vejo suas mãos apertando o travesseiro cada vez mais forte e sinto seu corpo começando a mexer junto com o meu e tudo ficando mais intenso. Dou preferência a profundida só pra ouvir você gemer, agarro seus cabelos e puxo-os pra escutar uma inspiração entre dentes cerrados. Sufoco-te pelo silêncio e pelo sorriso de alívio. E de costas pra mim ainda vejo seu cabelo se espalhar pela sua pele morena quando solto-o. Te aperto inteira como se pudesse te fundir a mim, te dou dedos e todos artifícios para se distrair ou se excitar. Me dou a você e nesse momento me sinto vivo, parte de alguém, parte do mundo.
E agora, te venero, te beijo dos pés - e como adoro seus pés - a cabeça. Deixo que você partilhe disso, desse poder, essa dominação... E como o voo de uma águia ou o bramar de um urso, no momento mais vital, mai selvagem, gasta todas as suas forças apertando, mordendo e arranhando. Convocando um tremer de pernas com toda energia que seu corpo lhe permite. A ponto de ser visível os batimentos cardíacos da fera sob sua pele suada e o ar inebriado com sua respiração ofegante.
Busco instintamente para saber se ainda está ali a presa, a amada, minha natureza selvagem.

Inquieta imaginação

25 de abr de 2012
Não consigo parar de imaginar você me consumindo.
Friccionando, apertado e a boca abrindo.
Olhando pra mim. Segurando, apertando, entrando e saindo.
A vontade de ver chegar o fim.

O calor da sua língua queimando em mim
com sua respiração ofegante, enfim.
O esforço do seu entusiasmo delirante
tentando me cansar sem sair daqui.

O seu sorriso calado aos meus olhos revirados.
Meus músculos contraídos dentro e fora de você.
Prazer sádico de sentir o corpo tremer.
Só eu e você. Eu e você. Eu-e-você.
Até a exaustão aparecer.

Idios #03: 2 Coelhos, Música, TV e Maconha

O primeiro assunto é o filme 2 coelhos. Imagine pegar a corrupção e os favorecidos por ela (bandidos e afins) e colocá-los em rota de colisão... É essa a missão de Edgar (Fernando Alves Pinto). O filme é do diretor Afonso Poyart e, por sinal, o roteiro e a montagem são excelentes, bem diferentes do padrão brasileiro, a montagem fica parecida com a de Tropa de Elite 2 a temática é a mesma o que muda é a abordagem, diria um pouco mais eficiente.
Página do Adoro Cinema do filme 2 coelhos

Agora vamos de música. O mito dessa idios é o Dave Crowe. Anthofuckingmithologic do Beatbox supremo dos montes polares da patagônia.


Escuta a macumba aí, sei que é grande, mas senão tiver paciência vai pro finalzinho quando ele pega a gaita.

Agora vamos de TV. Chato esse negócio da panicat né? Sensacionalismo pragmático de sempre. A dica: Desista da TV seu ser inútil.

E por último: A MACONHA
O Santo Daime proibido SOKASOKASKA
É intriga de estado não discutir isso, porque sabe que a discussão invalida qualquer opinião que proíba o uso. Eu não vou ficar falando se pode ou não, nem vou dar argumentos que invalidem ou validem a tese. O esquema aqui, por ser um assunto polêmico é você ir atrás da informação pra formar a sua opinião. Vou ajudar indicando alguns links que já dei uma olhada.

Desce a letra - 420
Bom, por hoje é só.

Negação

20 de abr de 2012
As pessoas cometem erros durante a vida inteira.
Depois tentam consertar de qualquer maneira,
só esquecem que aqui fora não existe backspace
e que tudo que foi escrito não pode ser editado.

Tenho essa mania de tornar as coisas inesquecíveis,
ora mais, escrever é a minha vida.
É tão minha vida que nem pra isso recebo
E mesmo assim, quando erro, nem percebo.

Detesto perfeição e, de quebra, idolatro a ilusão;
é disso que vivo, extração de ironia e falsidade.
Dois minérios preciosos nas minas de relacionamento
E são tão pretenciosos, que todos negam que possuem um tento.

Mas a vida é isso: aparência.
Não é apenas ser bonito ou feio como todos pensam.
É aguentar o tranco de todos os estresses em retaguarda,
não mandar determinado alguém ir se foder  quando acabar a calma.

Está tudo tão informatizado que a vida se resumiu a copiar e colar.
São mil redes sociais pra esconder o que tem dentro da cartola.
Não do mágico, mas da realidade né?
Aquela que todos fingem não ver.

Ninguém está nem aí para ninguém,
uma mesma espécie de desconhecidos
gozando de livre arbítrio. Ah! Se soubessem...
que o inferno é aqui e não tem como fugir.

Vômito Administrativo

Vômito. Administração é puro vômito. Era isso que pensava durante o seminário. Qualquer ferramenta inventada por um grande teórico, não passa de mais uma ferramenta para manipular e controlar o funcionário a seu favor. Alienação e vômito.
Os professores não colaboram e esse é o papel deles como colaboradores. Não que eles sejam despreparados, pessoalmente acho que são pessoas que nunca quiseram realmente ser professores, fecha o parêntese.
Você percebe isso quando o professor diz que se você esquecer a matéria é porque não aprendeu, você saca na hora e pensa “parceiro, você está errado”. Existem N motivos para isso acontecer e um deles pode ser a sua explicação, afinal métodos paleozoicos já estão ultrapassados e, para mim, decorar, salvo quando não existe outra opção, é o reflexo mais nítido disso.
O fato aqui na verdade é que alienar o aluno não é a solução. O caminho certo está onde as pessoas conseguem pensar para corrigir os erros que te afetaram.

SP

São Paulo estava do jeito que gosto. Sem vida. Não tinha sol, o que deixa a cidade cinza, como se fosse possível isso, mas como se alguém jogasse um plano de fundo cinza em cima dela e isso a deixasse, morta.
O céu de nuvens opacas e por mim, poderia chover séculos, que não me importaria. No fundo, não me importo com nada, porque não tem com o que se importar.
E ficava parado ali, observando. O vento carrega as nuvens rapidamente, o que dava gosto de ver.

06/12

16 de abr de 2012
Vejo as pessoas andando por aí de roupa social, como se fossem os donos do mundo, pessoas, quem dera, são jovens mesmo e me pergunto o que estão fazendo consigo? A ganancia infiltrou esse desejo de poder na geração e ainda me indago mais, já que sou tão diferente: O que fizeram com os desejos deles? O dinheiro e o status são desejos comuns? O que fizeram com a vontade dessas pessoas? E quanto a mim? Eu errei meu caminho ou me perdi tentando reduzir minha participação no sistema? É impossível sair do sistema. Ok, já conheço esse paradigma.
Ainda assim é complicado. É como se todos já tivessem se encontrado e eu continuasse me procurando.

05/12

Quando se está com dor é mais simples de entender o animo do Dr. House. A dor destrói a tolerância, na verdade, trata dela como se fosse uma vadia. Você simplesmente desiste e a cada passo que dá pergunta por que diabo saiu de casa. A dor destrói sua parte humana ou a parte que se importa com as pessoas, afinal a dor é egoísta, só você sente ela. Não venha falar de sentimentos, ela adora essa conversinha. Dor é quando doí e não quando você está angustiado, pra ela é agonia e apenas isso.

Seios e Nádegas

Homens, a grande maioria, escolhem as companheiras baseados no conceito de belo par de seios e nádegas, não sou diferente, só mudo um pouco o critério de escolha. Prefiro um par de peitos em camisetas de banda ou de animes, justa posição de roupa e afins. É quase gay, mas isso me salva de grandes problemas e de frustrações. 
É precário ficar naquele paradoxo de calça jeans e camisetinha e mesmo quando é assim é para o par de peitos e bunda que não queriam ser vistos que estou olhando, as meninas possuem uma certa graça de serem tímidas nessas ocasiões. No geral nádegas e seios chamam a minha atenção, mas não atiçam minha vontade. Quando se pergunta a um homem o que ele olha primeiro, ele pode acabar mentindo para parecer legal, pra evitar isso eu faço uma análise geral da cabeça aos pés e depois penso no que chamou mais minha atenção. 
E são pensamentos  subjetivos. 

04/12

30 de mar de 2012
E o menino navegava em um oceano de desconhecidos. Não se sentia em casa e não tinha uma para voltar. Tinha a companhia da fiel e bagunceira cachorrinha e nada mais. Ainda assim, tinha algo, ao invés de nada. E só restava navegar por mares de emoções que não sentia e encontrar pessoas que não procurava. Sentia-se só, incompleto. Não no sentido amoroso, mas só no sentido interpessoal, onde já se é só por natureza. Era isso que clamava dentro dele: "natureza" e ecoava e ecoava. Buscava atiçar os instintos selvagens que possuímos e se arriscar, mesmo que o único destino fosse uma morte prematura. Queria existir. E nessa selva de pedra não era possível com tantas distrações e preocupações que não são necessárias, com todos esses vícios terrenos e necessidades artificiais nunca seria capaz. Ele era menos do que todas essas coisas e, ao meu ver, infinitamente maior. 

Idios #02: A "antofuckinmitológica" Escola Moderna

16 de mar de 2012
Essa semana fiquei triste. Lendo uma espécie de guia rápido sobre o anarquismo, encontrei um sistema educacional alternativo idealizado por Francisco Ferrer ao qual deu o nome de Escola Moderna e lá amigos, a coisa era linda. Não existia uma grade curricular as matérias existiam, mas os alunos escolhiam de quais queriam participar e a escola funcionava como um atelier onde eles podiam desenvolver essas habilidades. É turvo pensar nisso nos dias atuais, imagina você concluir seu ensino e não saber nada de matemática ou português (Não que isso seja possível, mas muda-se o nome para os Estudo dos números e Estudo da língua e a roupagem velha cai). Mas não era bem assim. A Escola Moderna se valia da Pedagogia Libertária que tornava o Ensino autônomo e de responsabilidade de quem quer aprender. <- Tem coisa mais linda do que isso.

As matérias
As matérias são colocadas à disposição do aluno, mas não são exigidas. São um instrumento a mais, porque o que realmente é importante para a pedagogia libertária é o conhecimento que resulta das experiências vividas pelo grupo. O método de ensino, portanto, dá-se na vivência grupal, é na forma de autogestão que os alunos buscarão encontrar as bases mais satisfatórias de sua própria aprendizagem, sem qualquer forma de poder. Trata-se de colocar nas mãos do aluno tudo que for possível. Os alunos têm liberdade de trabalhar ou não, ficando o interesse pedagógico na dependência de suas necessidades ou das do grupo.
O professor 
A pedagogia libertária considera desde o início a ineficácia e a nocividade de todos os métodos à base de obrigações e ameaças. Nesse sentido, o professor deve se por a serviço do aluno sem impor suas concepções e idéias, sem fazer do aluno um "objeto", ele deve se misturar ao grupo para uma reflexão em comum.
Toda essa liberdade de decisão tem um sentido bem claro. Se um aluno resolve não participar, o faz porque não se sente integrado, mas o grupo tem responsabilidade sobre esse fato e tem que colocar a questão em discussão.
As avaliações
O critério de relevância do saber é seu possível uso prático. Por isso mesmo não faz sentido qualquer tentativa de avaliação da aprendizagem, ao menos não em termos de conteúdo. 
Em suma: Mano, o bagulho é empírico.

É um sonho imaginar algo assim, já que a desobediência civil só existe na escola, onde ninguém se preocupa em aprender o que realmente é importante e se apega a teoria vomitada pelas diretrizes básicas das grades curriculares ~viagem~...
Enfim, nasceu o PCB e os comunistas caçaram a Escola Moderna, declarando o seu fim. É o que dizem, Marx era foda e os Marxistas fodidos.

Se informe mais e vá além (Pedagogia Libertária isso aqui)
Paideia - Pedagogia libertária
Wikipédia - Escola Moderna
Wikipédia - Paulo Freire
Wikipédia - Francisco Ferrer

Ah, vai me falar que o wikipédia não tem credibilidade? já sabe a resposta.
 
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