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Identidade Nacional

10 de jan de 2012

O papagaio imponente no céu com os dizeres “USA” pairava para todos os lados e pensei como seria se o Brasil fosse um país patriota? Se desse valor ao seu povo e a sua cultura? É engraçado pensar assim porque não possuímos um herói atribuído a identidade nacional, nem na ficção nem na vida real. Temos belas histórias de repressão da liberdade e da luta contra essa alienação, seus protagonistas são principalmente Zumbi dos Palmares e Tiradentes, mas mesmo assim o que vem de fora nos agrada mais, talvez recentemente tenhamos atribuído o capitão nascimento, mas nas favelas onde o BOPE atua ativamente a polícia não é vista pelos olhos sofridos como os heróis do lugar, e sim, como um incômodo, porque não deixa de ser uma arma de proteção do estado e para o estado. Não que eles façam o trabalho da forma errada, mas acidentes acontecem e às vezes cidadãos que nada tem a ver com o que acontece estão no meio do fogo cruzado, longe das agulhadas ficam as crianças que anseiam por um super-homem ou um homem aranha que vai protegê-los quando o mal quiser triunfar diante do bem.
Acho que os heróis estrangeiros não iriam abandonar suas pátrias para resgatar donzelas em perigo em outros países, o super-homem mesmo, que pode voar e percorrer o mundo todo, nunca deu uma passadinha aqui pra visitar o Brasil, ou o Cristo Redentor a única referência brasileira lá fora. O Brasil pode ser a 6ª maior economia mundial – excluíram a educação dessa conta -, mas não tem um herói, aliás, o que o Brasil mais tem são sobreviventes, os pais de família que constroem essa cidade e as mães que conseguem alimentar 4 ou 5 bocas e ainda é possível ver filho ingrato por aí. O Brasil pode ter tudo, menos educação, dentro e fora dele ou dentro de cada lar que aqui existe e fora em cada pedaço público onde a educação iria gerar educação com apenas uma pequena dose de bom senso.
Mas voltando ao assunto, o Brasil ainda não tem heróis, não um que salve de uma grande invasão extraterrestre ou de um vilão maligno. O País tem seus heróis vivos em cada lar, heróis pessoais de cada filho ou filha e o seu maior vilão ainda é deixar as pessoas acreditarem que o que se tem lá fora é melhor do que a nossa diversidade cultural. O nosso vilão é corrupto e além de levar uma infância rica, mesmo pra quem é pobre, leva um pedaço do “bolo” e um tapinha nas costas, enquanto cega os olhos pra dignidade de quem precisa de heróis.
Victor Candiani

Uma pessoa que gasta muito tempo com livros, filmes e séries.

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