Maio 2012 | Bang Bang Escrevi

Idios #04: Novo código penal x Drogas ilícitas

30 de mai de 2012
A matéria no jornal diz que os juízes que estão elaborando o novo código penal querem descriminalizar o uso das drogas sem nenhuma exceção, bem, não concordo.

A descriminalização é sem dúvida um avanço, mas dentro das drogas, isto é, da cola a heroína, a não punibilidade por lei pode causar grandes danos a sociedade e um problema grave e crônico de saúde pública, uma vez que a pessoa com overdose seja vista como uma pessoa alcoolizada, sem levar em conta que a overdose mata muito mais rápido e com um acúmulo bem menor das substâncias no corpo. 

1) Imaginando que o porte ou depósito para consumo próprio (primeira ressalva: depósito de quanto?) não seja mais crime, o tráfico passa a ser legalizado, quer dizer, a passagem de pequenas quantidades na rodinha de amigos não tem problema, mas tudo começa pequeno não é mesmo? 

2) Todas as drogas? Complicado isso… Já que existem infinitas provas que muitas das drogas sintéticas, a maioria no mercado do tráfico, possuem grandes riscos a saúde. Em contrapartida não param de aparecer pesquisas que apontem que em alguns casos a droga pode trazer benefícios e até ser usada em tratamentos, me refiro exclusivamente a maconha, que não é sintética. Mesmo assim, volta-se ao tópico 1 e imagina-se qual quantidade é considerada “consumo próprio”.

Para mim essa repentina mudança, dá-se ao fato de que o Estado (governos, polícia, mídia etc.) não consegue controlar os fatores que fazem com que as pessoas usem drogas, nem leis, nem a punição, a criminalização e os afins impedem que a pessoa busque sua fuga social. O exemplo mais claro disso está na sociedade, menores abandonados cheiram cola porque têm fome; quem usa maconha, usa pra relaxar; o ecstasy, para quem quer uma aventura, a bebida para socializar e os sistemas repressivos que fiscalizam isso não conseguem dar conta então querem jogar a responsabilidade para os usuários, mais do que certo isso, porém algumas drogas são caminhos sem volta.

Sonetos dos Sentidos: Paladar

17 de mai de 2012
Sua boca tinha gosto de vinho,
no canto a taça que o havia contido.
Em cima da mesa uma garrafa de seco tinto,
nos seus olhos o desejo gritando feito instinto.

Em meus beijos o salubre da sua pele morena.
Não tão salgado que na boca arde ferida pequena,
mas tão intenso quanto o álcool do vinho,
um rastro de desejo marcando o caminho.

O inocente e ingênuo doce de seu olhar
antes que venha a perceber a noite chegar
com o amargo de ser mulher o homem domar.

Saciar-me-ei nesse banquete,
de entrada a prato principal experimentar
e de sobremesa em minha cama te deitar.

Sonetos dos Sentidos: Tato

11 de mai de 2012
Sua pele quente é o que sinto com minhas mãos em seu corpo.
Essa pele morena que incendeia como fogo
nessa brincadeira de amor que chamamos de jogo,
que sempre termina com um dos jogadores torto.

E o psicológico frio para trás deixamos
quando em forma de concha nos encontramos,
os fios de seu cabelo roçam em minha face,
simplificando o momento e desmontando o disfarce.

Nada disso se compara com seus úmidos lábios
que sorrateiramente me tonteiam nocauteando-me
com longos, quentes e doces beijos apaixonados.

Agora nesse inevitável momento de contato,
com a palma da mão sinto do seu coração os batimentos,
de tamanha proporção que é reciproco nosso sentimento.

[O pior do tato não é a explosão do momento é a ausência depois que tudo se vai.]

Sonetos dos Sentidos: Visão

3 de mai de 2012
Vejo a menina dos olhos invadir meu campo de visão
nobre e pequena ganhando destaque entre a multidão,
que me repara e sorrindo caminha em minha direção
enquanto imagino a melhor forma de ter seu coração.

A imagem do seu esforço de parecer uma simples menina,
de conseguir deixar homem sob homem aos seus  pés,
por parecer inocente, mas saber o que quer. Imagina, 
entre quatro paredes ser totalmente mulher.

No seu semblante tento enxergar todas as cicatrizes
de uma vida que não chegou a arranhar nem a superfície,
mas que a mantém calada como se nenhuma ferida existisse.

E me alegro ao ver além do que os outros idolatram.
Nos olhos e nos lábios da menina dos meus olhos
um lindo sorriso brotar depois de uma triste lágrima.
 
Bang Bang Escrevi | Todo conteúdo está sob a proteção da licença Creative Commons 3.0.