Junho 2012 | Bang Bang Escrevi

Ela e ele

27 de jun de 2012
Ela era a tese e ele a antítese por sua vez.
Dois pontos distintos de uma mesma ideia
do jeito que o engenheiro assim os fez
e sempre se complicam quando têm plateia.

O ponto e o tão obstinado contraponto
A nunca se chegar a um argumento comum
de tamanha insistência a deixar alguém tonto
e terminar de tomar toda uma garrafa de rum.

Mas quer saber... No final eram perfeitos
um para o outro completamente feitos.
Sem começo meio ou um ponto final
apenas as histórias deles sem lição de moral.

Eram como frango e macarrão, arroz e feijão,
fogo e material com potencial de combustão.
E ninguém poderia simplesmente entender
o que era complicado até mesmo para eles deter.

Por isso se tocaram e incendiaram o ser,
abraçaram-se como polvos no pertencer
e fizeram amor como dois animais
Porque era assim que se amavam, sem mais.

Poltrona

25 de jun de 2012
Éramos ex-namorados e há tempos não nos víamos, nos encontramos por acaso no shopping enquanto ele saia do cinema e eu olhava roupas. O convite para ir a casa dele foi inevitável e eu como não tinha nada a perder, aceitei. Jogávamos conversa fora sobre os bons tempos. Ele havia se mudado, morava agora em um apartamento em cima de um comércio no centro de São Paulo.
Era penumbre, decorado com um papel de parede da década de oitenta e iluminado com poucos abajures de canto, não havia iluminação central. Tinham poucos móveis. O costume de dormir no chão permanecia e o colchão pousava estirado sobre o chão de tacos e ao seu lado uma poltrona daquelas antigas com estofamento vermelho. Ofereceu-me Lambrusco e me surpreendi que ainda lembrasse os meus gostos. Aceitei e falávamos ao parapeito enquanto olhávamos para a imensidão nublada do céu da cidade. 
Não mudara muito, continuava com o cabelo e a barba por fazer. Instiguei que tinha emagrecido e respondeu que era por causa do cigarro, mas não perguntei desde quando. As horas se prolongavam e eu comecei a ficar animada por causa do álcool e ele só ria de mim. Compliquei-me com um tapete e quase caí, quando fui amparada pelos seus braços. Não sou daquelas de beber e perder a consciência e confesso a essa altura que a luz, o colchão e aquela barba já tinham me deixado excitada. Aproveitei o momento e beije-o.
Alguma coisa tinha mudado e ele não era mais o homem tímido que eu tinha conhecido, estava confiante. Levou-me delicadamente pelo cotovelo até a cama. Deitou-me e despiu-me olhando cada parte do meu corpo. Arrastou a poltrona e a prostrou de frente pra cama e ficou me olhando, fiquei envergonhada, mas não disse nada. De repente me pediu doce, mas viril que me masturbasse. Tomei um susto de imediato, mas a ideia de fazer isso olhando pra ele sentado na minha frente me deixou louca e comecei a me tocar. Nunca gostei de masturbação por achar frio. Hoje não tinha nada a perder. 
Passou-se um tempo em que estava me recreando ele levantou. Perguntei aonde ia e me respondeu apenas que continuasse. Demorou alguns poucos minutos e voltou trazendo uma tira de cetim e um recipiente que continha óleo para massagem. Pediu que sentasse e quando o fiz veio por traz de mim e vendou-me. Deitou-me e foi para perto das minhas pernas. 
Esfreguei o óleo em minhas mãos para aquecê-las e comecei a acariciar sua barriga, como ela estava linda desde a última vez que eu a vi. Estava uma mulher feita. Subi para seus seios e escorregava minhas mãos sobre eles e sentia ela se arrepiar, descia novamente e ia para as virilhas e subia. Que imagem perfeita. Ela deitada ali submissa, sem saber pelo o que esperar. Untei mais a minha mão e fui brincar com seus lábios maiores passando o dedo entre eles e os menores repetidas vezes. Pressionava, apertei o clitóris e fazendo movimentos circulares leves, com o peso de uma pena, e continuadamente. Introduzi um dedo e acariciava sua vagina por dentro. Ela se contorcia na cama, mordia os lábios, gemia. 
Deus do céu o que esse homem estava fazendo comigo? Eu me perguntava, não tinha coragem de falar nada e não tinha tempo, toda vez que pensava em algo para dizer me vinha aquela sensação de me perder no tempo e espaço. Estava entregue e ele poderia fazer o que quisesse. 
Voltei a brincar com seus seios, para lhe dar tempo de se recuperar e fui com a boca ao bico do seu peito, dando leves mordidas de um para o outro e do outro para o um. Desci beijando sua barriga indo direto as virilhas, como as adoro e sei que as deixam impacientes esperando serem logo devoradas. Não me apressei e brinquei o quanto pude ali, até finalmente ir lamber toda a extremidade da sua vagina, ia de baixo para cima, pegava o clitóris e fazia pressão com os lábios e a língua, descia e introduzia a língua quente nela que se revirava na cama. Acompanhei por um tempo seus movimentos de quadril até um gemido sufocante aparecer e ela descer exausta ao encontro do lençol.
Ela sorria e não era para mim ou qualquer coisa ali dentro. Era interiormente, sorria para si. Ofereci-lhe água, mas tive a impressão de que ela não teria me escutado. Sentei na poltrona e fiquei observando a beleza da mulher que contraiu seus músculos e tinha alguns movimentos de reflexo nas pernas. Demorou um tempo e voltou a si.

O descaso

22 de jun de 2012
Novos amores! Grita na varanda a flor da vida
Negando aos protagonistas a sua existência
não seja assim intrometida.
se no erro já possui a sua vivência.

A um lado o subentendido só irrita.
Entendo as espadas em defender a ferida,
mas sinceramente ainda não é da sua conta
Doce flor... Querida.

O lado... Que toma cuidado e não grita aos ventos
e tem a paciência de ser e de esperar
pra não machucar os sentimentos 
de quem no conflito de ideias ficar.

Peço o descaso de quem nada a ver tem
pra não ter que ler o que não convém.
Porque quem coisas bonitas sabe escrever
tem na palavras a arte de insultar também.

Peço desculpas se assim maltrato
e se não é merecido esse desagrado.
As condolências de quem não espera
ter outros problemas por falta de cuidado.

Marcas

Ei moça? De onde você apareceu?
Com essa sua boca de batom vermelho.
Anda cá, venha colar esse sorriso no meu
se arruma pra mim como se fosse seu espelho.

Venha, que vou te apertar tão forte (mas tão forte)
não precisamos, nesse inferno,  contar com a sorte
é somente eu, você e suas tatuagens
manchando minha boca, colarinho e cós de maquiagem.

Incendeia agora esse perverso desejo 
que é tão breve quanto as batidas do coração,
a missão essa noite é roubar-lhe um beijo
e compartilhar com você o mesmo colchão.

Enrosca em mim esse seu cabelo cor de fogo
Deixa o sol, com inveja, nos acordar assim
quando acabarmos esse nosso jogo
e marcarmo-nos um na pele do outro por fim.

Não Adormeço

18 de jun de 2012
Há dias que não consigo pegar no sono facilmente,
encosto a cabeça no travesseiro e não adormeço,
tendo ideias ingratas martelando na minha mente
e bem, desse perjúrio, isso ainda é só o começo.

Essa insistência barata como o reflexo da vida ingrata
cheia de cobranças que socialmente não vão acontecer.
O afogamento da vida, que em vão, a liberdade relata.
A asfixia da alma, que nesse mundo, há de perecer.

Por isso sou assim, recluso e recuso o ser humano,
Tenho mais em mim o que devo fielmente proteger,
“todos os desejos do mundo”, se me permite dizer
e tenho que realizá-los antes do meu corpo frágil falecer.

E agora, nesse instante, pra ser friamente franco.
Desejo a quem me ferir que sofra também um solavanco,
enquanto limpo a minha alma e reconquisto meu descanso
lavando minhas entranhas em uma gélida página em branco.

Deixa estar

17 de jun de 2012
Fica, mas não fica por ficar.
Fica, por que na minha vida quer estar.
Sei que é difícil isso entender,
Mas, no momento, é tudo que tenho pra oferecer.

A simples ideia de uma obrigação inquieta meu coração,
pois ter você é o que basta pra minha solidão.
Mesmo sem ter um título a cargo de vínculo social...
Lá fora, te garanto, não encontrará amor igual.

E não digo pelas selvagens assas da liberdade
que tornam impossível o coração controlar.
E ainda assim, se não apareceu ninguém nem pra você nem pra mim
é porque estamos com quem no fundo queremos estar.

Porque no fundo nos pertencemos sem que o mundo saiba
e essa tênue linha da verdade é o nosso fio de ouro
que você por insistência  está prestes a romper
e quando perceber será tarde demais para retroceder.

Idios #05: Governo, Literatura e Música.

16 de jun de 2012
Ei Governo, dessa vez não é só para criticar a sua atação. Vamos lá.
Primeiro queria elogiar o programa "De mão em mão" que busca incentivar o gosto pela leitura na cidade de São Paulo colocando estandes em lugares de grande circulação para a distribuição gratuita e sem compromisso de livros de contos de grandes autores da literatura brasileira.
O "portador" do livro só precisa responder 3 perguntas para classificação do tipo de usuários (idade, escolaridade e zona que mora) e retirar o seu livro com o compromisso de passá-lo adiante ou devolver em qualquer um dos estandes.

Os livros

Missa do galo e outros contos - Machado de Assis
Nova Califórnia e outros contos - Lima Barreto
Contos Paulistanos - Antônio Alcântara de Machado

Todos estão revisados no novo acordo ortográfico, possuem glossário para termos de época e um catálogo de endereços úteis com bibliotecas, pontos de leitura, bosques de leitura etc. 
Bom, eu peguei o livro do Machado e sou muito egoísta pra devolver - acho -, então vou ficar com ele lindo na prateleira, mas empresto se alguém pedir. Não, sem antes dizer: Para de ser preguiçoso e passa lá no Terminal pra pegar um pra você. 
Acho que é só isso.
"Mas há idéias que são da família das moscas teimosas: por mais que a gente as sacuda, elas tornam e pousam". (Machado de Assim - Uns braços)
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Entrei em uma onda de guitarras distorcidas e, sendo sincero, não sou um mestre em estilos músicas, mas gosto quando as músicas te proporcionam aquela viagem inexplicável. Então, sem delongas, Três discos para quem quiser dar uma voltinha em paraísos particulares.
Led Zeppelin - Led Zeppelin I [1969]

Nada significante

14 de jun de 2012
E eu fico olhando, no fundo branco, a barra piscar
e nenhuma palavra significante na mente surgir.
Aumento o som para o pensamento não escutar,
insisto em segurar as palavras que querem fugir.

O desejo de escrever pela necessidade de censurar,
mesmo que a censura seja apenas uma precaução
a referência ao zelo que alguém esqueceu de dar
e que agora perde tempo, com conversa de assunto vão.

É difícil interagir quando não se tem o que dizer,
se é certo ou errado, sortudo quem consegue entender.
Não que seja o orgulho rasgando qualquer tentativa
é mais delicado do que possa parecer lidar com a expectativa.

Basta, assim, ao assunto devagar, se recusando, perecer.
No império do silêncio da nossa essência e companhia
tarda a aparecer uma alternativa ao que possa acontecer
e os jovens tristes se afogarem na sua própria melancolia.

08/12

11 de jun de 2012
Não se vem poesia a cabeças inquietas, apenas o caos de uma prosa feita as pressas. Difícil expressar nela subjetivamente que tem algo de errado com o lado de fora. Já ouvi dizer que o silêncio é o mais poderoso dos gritos e mesmo assim não basta calar-se para ser ouvido.

07/12

Gosto da chuva. Gosto das poças de água e de pisar nelas. Ver as ondulações se espalharem por toda sua extensão se chocando com outras. Isso reflete, para mim, a vida. A forma como os pensamentos ecoam sem parar por toda nossa extensão e como as pessoas se chocam e começam a falar sobre coisas que não são importantes apenas para prolongar o primeiro eco.

Sonetos dos sentidos: Audição

2 de jun de 2012
E você simplesmente passa a se encontrar aqui,
Se estender, com sua linda e notável presença.
Dizendo o que pensa, brincando de brincar comigo
e jogando conversa dia afora com o som do seu riso.

Escutamos, na cama, aquelas nossas músicas velhas 
nos entrelaçando e queimando feito parafina em vela,
atacados por aqueles antigos e brutais cupidos
até tudo se render a sufocados e prazerosos gemidos.

E nada disso se compara a doar-se a outrem,
que de bom grado lhe concede o tempo e os ouvidos
para te acalmar de furacões e oferecer seguros abrigos.

Algo melhor nesse pacato e insensato mundo não há
do que ter nessa mesma pessoa que por viés escutar
a possibilidade de com ela sorrir, viver e amar.
 
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