Resenha: Projeto de mão em mão | Bang Bang Escrevi

Resenha: Projeto de mão em mão

18 de ago de 2012
Como já falei disso em outro post, volto dessa vez para falar sobre os livros que estavam sendo disponibilizados, terminei os três livros e vou fazer um breve resumo do que achei. Lembrando que nunca fui fã de contos.


Missa do galo e outros contos – Machado de Assis

Machado é machado. Sempre cortante com sua ironia cotidiana, tenho a impressão de que ele acordava e dizia “belo sol” só pra ironizar com o corpo celeste. Os contos do Machado vão de histórias cotidianas sobre como as pessoas lidam umas com as outras a contos de amor proibido com mulheres casadas. O conto que mais gostei foi “A igreja do diabo” onde o autor constrói um templo do dito cujo com o intuito de roubar os fiéis da igreja católica, isso, sem falar em clássicos como “uns braços” que li quando ainda estava na escola em uma coletânea de contos que hoje em dia é distribuída de graça e a galera não aproveita. O mais interessante de ler Machado é que ele faz uma releitura da vida e expõe facilmente as angústias dos personagens e você passa a sentir o que eles estão sentindo. A seleção de contos foi muito eclética proporcionando ao leitor uma pitada de amor, medo, culpa e genialidade.

A nova Califórnia e outros contos – Lima Barreto

Barreto era do povo e acho que o autor brasileiro mais criativo que conheço, no quesito imaginação é unanime e você percebe isso quando lê “O homem que sabia Javanês” e o “Congresso Pan-Planetário”, ele dominava a arte de falar simples, mas complicado e enrolar tudo em uma bola de linha sem fim, muito bem elaborada em “Como o ‘homem’ chegou” na sua gaiola de ferro viajando pelo Brasil, sem falar na avareza de “Hussein Bem-Áli Al-Bálec e Miqueias Habacuc” e em “A nova Califórina”. Os preferidos da coletânea são “A biblioteca” que tem como protagonista um pai que herda uma biblioteca e que sonha em ver um dos seus filhos se afundando em todo aquele conhecimento e “Por que não se matava” onde o suicida tem dúvidas sobre seu legado pós-morte. 

Contos paulistanos – Antônio de Alcântara Machado

Alcântara relata em seus contos as diferenças culturais entre paulistas e descendentes italia-nos e como eles se relacionavam na cidade. Interessante é ilustrar isso no esporte com um clássico Corinthians contra Palmeiras (palestra) sendo um time fundado por operários e o outro por descendentes de italianos. O livro é dividido em duas partes a primeira fala de um contexto geral, um cenário digamos assim e a segunda de pessoas com personalidades ou características especificas. O texto tem uma leitura rápida, como Alcântara diz a coletânea nasceu de uma coluna de jornal e evidentemente você sente isso enquanto está lendo. Os preferidos ficam para “Artigo de fundo” onde ele fala da mistura de raças em São Paulo A birra da “Lisetta” e a surra que ela leva por isso, bem coisa de italiano – eu que bem sei por ser ascendente de uma família italiana - e a excentricidade do personagem Washington em “O patriota Washington”. Em suma terminei o último livro esperando que o projeto retorne com mais autores, só que com histórias no lugar de contos. 

Nota sobre o projeto:
Acho que todo leitor assíduo vai concordar comigo, mas é um pé no saco ter que ficar indo ao final do livro verificar nota de página.
Victor Candiani

Uma pessoa que gasta muito tempo com livros, filmes e séries.

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