Dezembro 2012 | Bang Bang Escrevi

Balanço Cultural 2012

31 de dez de 2012
Como fiz ano passado, vou repetir a tradição esse ano.

Poesias (séries)


Sonetos dos Sentidos
O Urro

Livros


Coleção Itaú de livros infantis - Projeto: Eu leio para uma criança
Poesia na varanda – Texto: Sonia Junqueira. Ilustração Flávio Fargas
Lino – André Neves
O ratinho, o morango vermelho maduro e o grande urso esfomeado – Texto: Don e Audrey Wood. Ilustração: Don Wood

Projeto de Mão em mão

Contos Paulistanos – Antônio de Alcântara Machado
Missa do Galo e outros contos – Machado de Assis
Nova Califórnia e outros contos – Lima Barreto

Livros em geral


Um estudo em Vermelho – Sir Arthur Conan Doyle
O Signo dos Quatro - Sir Arthur Conan Doyle
Tristessa – Jack Kerouac
Guerra dos Tronos: As crônicas de gelo e fogo - George R. R. Martin
A hora do terror: Drácula de Bam Stoker (HQ) Artes: Eugênio Colonnese. Cores: Miguel Marques e Geraldo Filho

Séries

Novo carter 
666 Park Avenue (infelizmente cancelada)
Alcatraz (cancelada)
Go On
Elementary
Sherlock
Breaking “fucking” Bad
Arrow
Falling Skies
Anger Management (Desisti o Sheen já foi melhor)
Cuckoo
Partners
Sinbad

Filmes


Esse ano fui muito mais ao cinema do que ano passado e cumpri a minha meta de assistir 366 filmes (não necessariamente um por dia).

Top 10 filmes (2012)

Batman Cavaleiro das Trevas Ressurge
Vingadores/Intocáveis
O Hobbit
Ted
Infratores
ParaNorman/A origem dos Guardiões
Dreed
Looper
Marcados para morrer

100 melhores dos 366 filmes


A lista está em ordem cronológica conforme eu vi os filmes então vou colocar em negrito os que merecem maior destaque. 
Link da Lista completa de 366 filmes.


50% “50/50” (2011) 
Metropia (2009)
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres “The Girl with the Dragon Tattoo” (2011)
Histórias Cruzadas “The Help” (2011)
Nosso Irmão sem noção “Our Idiot Brother” (2011)
O Grupo Baarder-Meinhof “Der Baader Meinhof Komplex” (2008)
Os homens que não amavam as mulheres “Män Som Hatar Kvinnor” (2009)

2-0-1-2

O dia amanheceu e é só mais um dia comum na capital. É o último do ano e pra mim parece igual aos outros, as pessoas festejam. Eu não tenho o que festejar. Foi só mais um ano. Vão falar que eu deveria celebrar a vida, mas esse ano eu e ela tivemos um relacionamento catatônico e apático. Eu perdi a minha luz e deixei-a perdida.
Às vezes olho pra trás e me vejo com os ânimos, os gestos e as ideias diferentes, recordo elas e me deparo com um reflexo decadente de tudo. Não condiz. Me perco nesses pensamentos e a quietude me vem como uma faca que atravessa o peito. Perdi a voz, a coragem, a vontade de viver. Penso na ideia de lutar pelos meus objetivos e me pergunto logo em seguida, por quê? A falta de uma resposta soverte todo o pensamento e me pego pensando em nada olhando para o teto, enquanto a minha antiga falta de sono me mantém nessa tortura filosófica. 
Não vejo o sentido nas coisas. Vejo o rio preso entre seus leitos correndo ao encontro do mar e só. Eu sou como uma pedra parada no meio do rio. Não quero entrar aqui em tretas com o sistema, mas acho que não vejo minha existência nele, ou sobrevivência se preferirem assim. No meio de tudo isso vem um sentimento de pena, autopiedade, tudo que um moribundo precisa, mas é passageiro e me encontro nos mesmos cataventos conflituosos. 
Os sonhos são os problemas, eu os alimentei tanto que hoje são pesadelos, não que me assustem ou coisas desse tipo, porém, devoram tudo aquilo que cruza o seu caminho. 
Não gosto de fazer redações de “como foram minhas férias” imagina falar de um ano inteiro. Resumindo: 2012 foi introspectivo, mais uma vez.

Entre o Céu e o Inferno

28 de dez de 2012
Levantou. Não sentia mais vontade de viver ou de lutar pela vida. Tomou um copo de café-com-leite, com dois dedos de leite, porque era tudo o que restava na caixa e não colocou açúcar. Mesmo amargo cada gole era como se fosse o último.

Saiu. Resolveu quebrar todas as regras que tinha imposto sobre si, resolveu se entregar e fazer todas as coisas efêmeras, os vícios terrenos que já tinha deixado para trás há muito tempo. 

Chegou ao shopping onde está o céu e o inferno, mas isso era irrelevante. Passeou pelos corredores, entrou em uma livraria, pegou um livro, leu algumas páginas, conversou sobre o autor com a vendedora e saiu. Sentou na praça de alimentação para olhar as pessoas, seu passatempo favorito, esperava um sorriso ou algo do tipo, buscava algum afeto, mas ninguém sorriu.

Passava a novela na TV quando chegou em casa, sentou na cama que ficava ao lado da cama da mãe e assistiu até darem os comerciais enquanto estava ali não pensando. Deu boa noite e subiu até a casa da irmã para fazer o mesmo, desceu, deu um beijo na cachorra e trancou-se no quarto.

Pegou a mochila, retirou um saco de papel. Abriu-o mostrando uma .38. Lembrou da vida e de tudo que já tinha passado. Colocou o cano na boca, sentiu o metal gelado em seus lábios, sentiu, também, ser dono do seu destino, acabaram-se as preocupações, estava totalmente no controle e adorou essa sensação. Puxou o gatilho.

O estalar seco da agulha no tambor vazio.

10/12

26 de dez de 2012
Não entendo essa necessidade de autoafirmação. Essa frequência exacerbada de atualizações sem sentido algum sobre aquilo que você está fazendo. Uma atualização esporádica aqui e ali, tudo bem.
Mas pra quê essa constância? 
Essa baboseira pseudo-intelectual não tem fundamento. Demonstra um estado profundo de solidão latente do que conteúdo propriamente dito. É muito mais surpreendente ver algo esporádico do que tornar visível que você se tornou um lixo, mais uma mente vazia, gradativamente.

Rascunho de mim

24 de dez de 2012
Depois de algum tempo sem escrever, acho que é normal a insegurança da caneta. Odeio ficar escrevendo sobre o mesmo assunto e por isso dou um tempo, mas nunca funciona.

Nunca fui notável, não tinha nada de diferente, nem alto nem baixo, nem gordo nem magro, nem inteligente nem ignorante. Era comum e a intersecção de todas as qualidades e defeitos. Vivia viajando, não de avião ou de ônibus. Viajando no sentido de nunca estar, realmente, prestando atenção em algo. Era bom em fisionomias e péssimo com nomes e de quebra uma enciclopédia ambulante de qualquer assunto, sabia de muitas coisas sobre várias outras coisas.

Não conseguia mais me apaixonar, era solitário. Adorava a solidão e odiava me sentir sozinho, existe uma linha bem tênue entre esses dois estados, que não vou entrar nesse mérito agora. Morava em uma periferia qualquer da Zona Sul de São Paulo, afinal, nessa cidade de cinza uma favela a mais ou a menos não fazia tanta diferença. Os morros se fundiam com tudo. Fazia outro curso qualquer de uma faculdade mediana e me importava muito mais com meus hobbies do que com minha carreira. Almejava morrer antes dos 30 anos, mas sabia que chegaria fácil aos 50 e isso é complicado demais pra explicar. No geral, as pessoas têm esse desejo de viver muito, eu não, a cama do hospital e o fim da luz do meu cérebro é minha sentença de morte. E não importa a idade que vá para lá, se não tiver certeza de uma recuperação, por favor, deixem-me ir.

Esse desejo, o das pessoas, a fé absoluta em algo ou o inconformismo é tão forte que mesmo sendo um direito seu escolher se quer ficar ou não elas irão fazer de tudo para te manterem aqui, pertenço apenas a mim. Assistindo uma das minhas séries e quem me conhece sabe que são muitas, me deparei com uma das personagens mais arrebatadoras que conheci, Constance Langdon interpretada pela atriz veterana Jessica Lange que disse logo após a sua filha com Síndrome de Down morrer em um dos episódios:
“Um dos vários benefícios de ter filhos é saber que sua juventude não fugiu, apenas foi passada para uma nova geração. Dizem que quando um pai morre, a criança sente sua própria mortalidade. Mas quando uma criança morre, é a imortalidade o que os pais perdem”. 
Acho que nunca vou esquecer isso.
Bem, meu pai já tinha partido e minha mãe era louca, na verdade, muito feliz quando não estava preocupada com dinheiro. Deve ser a penitência das mães na terra nunca largarem o batente, sempre preocupadas com os filhos. Falo de mães de verdades, não dessas infelizes, que colocam filhos no mundo e depois querem ir para a balada extravasar no momento em que os filhos mais precisam de alguém com eles.

E já que entramos nesse assunto, vou logo tratar de eliminá-lo. Dinheiro. Não trabalhava, porque o mundo, sociedade ou escambau que fosse me obrigava a trabalhar em um lugar que eu não queria apenas para que eu tivesse dinheiro. Atribuí a mim um estilo de vida mínimo, sem luxo algum e eliminei a maior parte das vontades humanas criadas pelo maldito sistema, tendo assim de despesas comigo as que eram as básicas da casa. Não tinha mias uma religião, mas acreditava em uma força superior (Come to the Dark Side) que orientasse as coisas. É estranho pensar que tudo esta à deriva e é desesperador achar que Deus é um manipulador de fantoches e ficar discutindo isso tira o sentido da vida.

[fim da conexão]

Corpo-a-corpo

7 de dez de 2012
Fico aqui imaginando, enquanto não pego no sono, e provavelmente por causa dessa imaginação nem seja arrastado por ele.
Crio situações com você que te deixaria com vergonha. Mas por outro lado, louca. Imagino uma rapidinha quando você chegar, antes que eu tome banho. E que durante o banho o desejo retorne e quando sair role uma mais longa com você me pegando de súbito quando entrar no quarto só de toalha.
Te acompanhar ao céu, fazendo amor/sexo, fodendo com você - desculpe baby, mas essa é a palavra certa - loucamente. Por cima, por baixo, de lado, de quatro. Puxando seu cabelo, mordendo sua orelha e dizendo que adoro foder você. Te dar uns tapas, porque você tem sido uma menina muito má. Colocar meus dedos na sua boca. Te prender. Masturbar você até que não aguente mais e te foder novamente. Te chupar por inteira. Seus seios, principalmente, já que tanto te dá prazer. E encharcar (sua buceta) você de tanto tesão.
E depois no meio da noite ir ao banheiro e voltar na ponta do pé pra ficar admirando esse seu corpo moreno semicoberto na minha cama, com todos os defeitos e qualidades que possui. E pensar sombriamente com todo meu ego que tudo aquilo é meu, que você é minha, que te possuo.
Eterno e por um fio. Hã?
E voltar a entrar debaixo das cobertas e te acordar com carícias para mais uma sessão de lambidas, mordidas e sucções e te deixar dormir depois, se conseguir. Se e somente se.
Esperando que de manhã você retribua me despertando com um boquete matinal cheio de segundas intenções de entrar em um frenesi maluco de corpos e foder como dois animais com a luz dos primeiros raios de sol.
Mas freio minha imaginação por lembrar que meu apetite sexual te irrita. 

 
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