2-0-1-2 | Bang Bang Escrevi

2-0-1-2

31 de dez de 2012
O dia amanheceu e é só mais um dia comum na capital. É o último do ano e pra mim parece igual aos outros, as pessoas festejam. Eu não tenho o que festejar. Foi só mais um ano. Vão falar que eu deveria celebrar a vida, mas esse ano eu e ela tivemos um relacionamento catatônico e apático. Eu perdi a minha luz e deixei-a perdida.
Às vezes olho pra trás e me vejo com os ânimos, os gestos e as ideias diferentes, recordo elas e me deparo com um reflexo decadente de tudo. Não condiz. Me perco nesses pensamentos e a quietude me vem como uma faca que atravessa o peito. Perdi a voz, a coragem, a vontade de viver. Penso na ideia de lutar pelos meus objetivos e me pergunto logo em seguida, por quê? A falta de uma resposta soverte todo o pensamento e me pego pensando em nada olhando para o teto, enquanto a minha antiga falta de sono me mantém nessa tortura filosófica. 
Não vejo o sentido nas coisas. Vejo o rio preso entre seus leitos correndo ao encontro do mar e só. Eu sou como uma pedra parada no meio do rio. Não quero entrar aqui em tretas com o sistema, mas acho que não vejo minha existência nele, ou sobrevivência se preferirem assim. No meio de tudo isso vem um sentimento de pena, autopiedade, tudo que um moribundo precisa, mas é passageiro e me encontro nos mesmos cataventos conflituosos. 
Os sonhos são os problemas, eu os alimentei tanto que hoje são pesadelos, não que me assustem ou coisas desse tipo, porém, devoram tudo aquilo que cruza o seu caminho. 
Não gosto de fazer redações de “como foram minhas férias” imagina falar de um ano inteiro. Resumindo: 2012 foi introspectivo, mais uma vez.

Victor Candiani

Uma pessoa que gasta muito tempo com livros, filmes e séries.

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