Abril 2013 | Bang Bang Escrevi

Resenha: As Cidades Invisíveis, Ítalo Calvino.

30 de abr de 2013
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 8571641498
Ano: 1990
Páginas: 152
Tradutor: Diogo Mainardi
Avaliação:

"Quem comanda a narração não é a voz: é o ouvido." [pg. 123] 
Ítalo Calvino, nessa coletânea de textos curtos, assume o papel de narrador que foi atribuído a Marco Polo com o objetivo de relatar ao Imperador Kublai Khan as viagens que fazia pelo seu império e descrever as cidades que encontrava.

Evento: Game of Thrones Exhibitions | #GOTSP

29 de abr de 2013

Dê play e comece a ler.


Ontem fui visitar a bendita exposição dos itens de Game of Thrones no Shopping JK Iguatemi promovida pela HBO para os fãs da série. Amigos, vou falar que estava sensacional.

Sem problemas na organização, equipe de organização atenciosa e com umas camisetas muito fodas da exposição e afins depois aponto algo negativo se houver, vamos falar da exposição.
Assim que você entra já começa a tocar o tema de Westeros na sua cabeça... A primeira coisa que invade o campo de visão é um mapa dos sete reinos, logo depois as vestimentas do Casa Stark e daí já era possível seguir para a fila da foto no Trono de Ferro - que aconteceu tranquilamente, por ora -, do Trono era possível ver a cabeça do Ned Stark suspensa acima das roupas da Casa Lannister, como uma piada macabra, ao lado tinha as roupas da nossa querida Daenerys Targaryen com Drogon sobrevoando-as, Nos painéis laterais tinham os ovos, alguns adereços de Quarth e uma miniatura do Drogon e do outro lado tinha o pedaço destinado à Além-da-muralha, com a roupa da Ygritte, Mance Ryder e Jon "não sabe de nada" Snow" e por fim o simulador da Batalha da Baía de Água Negra, onde você atirava algumas flechas e tinha que acertar as manchas verdes na água que representavam fogo-vivo. Entre os elementos principais, em painéis centrais ficavam outras peças da série como Armas usadas (Agulha, Garra, Gelo, Elmo do Cão-de-caça), as coroas dos reis, corrente de Meistre, Jarro de Fogo-vivo etc. Abaixo as fotos:


Apesar de toda organização e atenção, aconteceram alguns fatos indesejados. Na fila era possível fazer um cadastro pra sua foto no trono ser postada no Facebook direto, se você não optasse por essa opção, você poderia retirar no final da exposição ela impressa, mas ele devia ser público e como tentei logar, bloqueou meu perfil e tive que mudar a senha. Na hora da foto parecia que o pessoal estava com pressa e um pouco arrogante, porém, era desnecessário, porque a fila não estava grande. Depois de toda a exposição, como vocês puderam ver na foto, a imagem está horrível e nem da pra me reconhecer direito, porque a foto ficou desfocada. No página do Facebook da HBO Game of Thrones tem uma quantidade considerável de pessoas com o mesmo problema na foto, pedindo para que o arquivo digital seja enviado por e-mail, até então a HBO está atendendo as solicitações. A minha ainda não chegou, mas já solicitei, espero que seja apenas problema na impressão :). 

Fora esses imprevistos a HBO está de parabéns por viabilizar a exposição e  agradar uma infinidade de fãs da série. o/

Resenha: A Metamorfose, Franz Kafka

17 de abr de 2013
Editora: Nova Cultural
ISBN: 8513010987
Ano: 2002
Páginas: 110
Tradutor: Calvin Carruthers
Avaliação:


"Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto. Estava deitado sobre o dorso, tão duro que parecia revestido de metal, e, ao levantar um pouco a cabeça, divisou o arredondado ventre castanho dividido em duros segmentos arqueados, sobre o qual a colcha dificilmente mantinha a posição e estava a ponto de escorregar."
Ler A Metamorfose é aceitar um desafio, pois você pode acabar não gostando do que vai ler. O problema é o sentimento que você gera pela criatura, sim, bicho, bagulho feio em que se transforma Gregor Samsa e tudo fica mais difícil à partir do momento que esse inseto não perde a sua consciência humana e continua sentindo e relatando tudo o que acontece. No fundo, A Metamorfose, é uma análise acerca da humanidade que ainda existe nas pessoas com algumas alfinetadas no sistema econômico da época que idolatrava o emprego como um deus. 


O livro foi escrito em 1912 e publicado em 1915, Kafka expõe na história dividida em três partes a preocupação com as obrigações e relações familiares, a inferioridade carregada pelo filho em relação ao pai e a decadência da condição humana. Gregor sempre fez o melhor para ajudar a família e agora se encontra nessa situação desesperadora, sem poder fazer nada e sem previsão de melhora. Ao redor dele as pessoas em um primeiro momento, não sabem o que fazer, mas logo em seguida a vida segue o seu rumo. 

Kafka se empenhou em rechear o livro com metáforas, mas varia muito da percepção de cada um encontrá-las e interpretá-las. Ao meu ponto de vista reluziram três especificamente.
  • A Janela: Gregor sempre se encontra a olhar pela janela admirando ou temendo o inalcançável. Nós diante dos desafios que a vida apresenta e a imobilidade que às vezes desenvolvemos.
  • A Maçã: Só vou explicar pra não dar spoiler. Uma ferida que não se fecha e acaba apodrecendo, não tendo assim mais solução. A amargura que carregamos.
  • O Besouro:  Fiquei me perguntando... Por quê diabos um besouro? E a resposta que mais me agradou foi, em suma, que ele desafia as leis da física, por ser pesado demais para voar. O que, traduzido parar ditados populares, significa que nada é impossível.
Se for ficar fazendo interpretação das metáforas, a gente não termina isso aqui em menos de uma semana pelo menos.

Não é segredo encontrar na biografia de Kafka os seus problemas com o pai, e fica evidente em uma série de passagens do livro esse conflito. O Pai era a maçã no Kafka (depois de ler, hão de entender).  A desaprovação, descrença, desavença, descrédito - des+complemento -, o que acaba estreitando a sua relação com o personagem e desenvolvendo uma espécie de esperança por dias melhores. 

O livro é excelente, e infelizmente, curtíssimo. No final deu a impressão de que o autor quis encurtar a história e terminou ela rapidamente, fico imaginando o que mais ele teria explorado se tivesse se disposto a isso. O desfecho foi intragável. Mas também imagino o desgaste psicológico gerado por esse tipo de escrita, recheado de detalhes e que mexem em coisas que queremos esquecer.

A edição faz parte da mesma coleção da Editora Nova Cultural em parceria com o Grupo Suzano papel e celulose. Que já citei em outra resenha (aqui). Capa-dura preta com desenhos em dourado.

Resenha: O Velho e o Mar, Ernest Hemingway

16 de abr de 2013
A simplicidade na escrita, isso, foi o que mais me surpreendeu. A forma clara e concisa do autor narrar uma história, sem perder o foco ou se prolongar demais, sem delongas. Isso e tantos outros fatores foram os responsáveis por consagrar Ernest Hemingway com o Nobel de Literatura de 1954 por O Velho e o Mar e suas contribuições para a literatura contemporânea. 

O livro, pareceu pra mim, a explicação prática do termo Wabi-Sabi, um conceito ocidental que estimula enxergar a beleza da imperfeição, não falo da história, a história é perfeita, mas de como nós buscamos a perfeição e como a vida arranca isso da gente, apenas exercendo o que ela é: a vida.
"Você nasceu para ser um pescador, tal como o peixe nasceu para ser peixe". (Santiago em pensamento)
Assim é Santiago, um velho pescador, que tem como ajudante, Manolin, que o admira e o idolatra. Na trama Santiago se mostra sempre destemido e determinado, após ficar 84 dias sem pescar nada, resolve ir ao mar para mais uma empreitada, fisga um enorme peixe e luta incansavelmente com ele, a natureza e consigo mesmo, até se ver mais distante da costa do que qualquer outro pescador teria a coragem de ir, mas ele é Santiago, el Campeón.


Durante a história o livro é preenchido com gravuras de Raymond Sheppard e Charles Tunnicliffe ilustrando os momentos pelos quais Santiago está passando. As imagens do livro podem ser encontradas aqui de uma edição mais antiga. A capa é de Silvana Mattievich e a editora responsável é a Bertrand Brasil, que faz parte do Grupo Editorial Record, que também possui o selo Galera (As peças infernais/Instrumentos Mortais, Assassin's Creed, The Walking Dead etc.) entre outros.

Resenha: Caninos Brancos, Jack London

12 de abr de 2013
Caninos Brancos - Jack London


Sabe quando você descobre que aquele seu filme favorito da infância, que passava pelo menos 3 vezes por ano na sessão da tarde, era inspirado em um livro com o mesmo nome, mas você nunca se deu conta disso? Pois é, até achar o livro perdido eu não sabia. 

Lobinho, Caninos Brancos, Lobo Lutador ou Lobo Indomável, não importa, apenas viaje em suas quatro patas. A história é simples, com um toque de delicadeza surpreendente. A maior parte do livro acontece na cabeça do lobo, da sua concepção de paternidade, meio ambiente, homem, outros animais etc. que irão auxiliá-lo na formação da sua personalidade, não que ele entenda esse conceito, mas vão formar o que ele é. Isso é o mais incrível do livro, o ponto de vista do lobo e como ele age de acordo com aquilo que ele vê e sente além da concepção de bem e mal, sendo bem aquilo que causa prazer e mal o que lhe causa dor, aparenta ameaça ou hostilidade. 

Desde a primeira presa e o gosto do sangue quente, os momentos de solidão, o abandono paternal, a fome e todas as condições que ele está exposto no Wild - o selvagem, desconhecido - até as suas reflexões sobre os humanos, a domesticação e a repreensão do seus instintos, o conflito com os da sua raça e o choque ao descobrir o amor. Tudo está exposto nos pelos e reflexões de Caninos.

Os homens deuses, e isso achei interessante, nós seres vivos temos o costume de tomar por divino aquilo que desconhecemos ou pouco compreendemos e que podem nos afligir, de alguma forma, dano, pena ou punição, o mesmo acontece na relação lobo e homem. O que expande a compreensão sobre o comportamento humano e como os animais se comportam. Imagino que London não tinha nenhum conhecimento nem estudo formal acerca do comportamento dos animais, tudo foi fruto da sua imaginação e poder de observação e mesmo assim, ele constituiu um trabalho excepcional.

A obra é caracterizada como infantil, mas é uma leitura para quem busca viajar, transpor os limites da carne e se transformar em lobo, para sentir o que caninos sentiu. Se permitido a obra é totalmente transcendental, claro, todas obras são, mas essa ultrapassa o limite personagem humano, sendo possível sentir-se um animal, um lobo selvagem. 

Jack London cresceu na Califórnia, nasceu em 12 de janeiro de 1876, foi essencialmente autodidata, largou o curso de jornalismo em Berkeley aos 21 anos, depois de descobrir as razões do suicídio da mãe. Foi para Klondike em 1897, atrás da corrida do ouro que ali se desenvolvia, o que prejudicou sua carreira e onde nasceram boa parte de suas histórias. Voltou para a Califórnia um ano depois, onde dedicou-se a virar escritor. Dentre seus histórias, navega "O Chamado da Floresta" que aparece no filme Into The Wild de Sean Penn com a perfeita trilha sonora de Eddie Vedder, como um dos livros lidos por Alexander Supertramp - Christopher McCandless, interpretado por Emile Hirsch -, além de Caninos Brancos, na sua viagem em busca do existencialismo.


Encontrei uma edição 1983 da Companhia Editora Nacional com tradução de Monteiro Lobato - dono da editora -, com 184 páginas, sem sinopse e que faz parte da Coleção Terramarear, que por iniciativa de Monteiro Lobato introduziu a literatura no cotidiano de São Paulo trazendo títulos como Robin Wood, Tarzan, Mogli, o menino lobo, O último dos Mohicanos entre outros. Faz parte do grupo IBEP-Companhia Editora Nacional, desde 1980 e em 2009 o grupo adquiriu a Conrad Editora, especializada em histórias em quadrinhos.


Resenha: Crime e Castigo, Fiódor Dostoiévski

7 de abr de 2013
Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski


Esse é da lista dos antigos desejados a serem lidos e nunca tive a oportunidade até descobrir que na biblioteca da Base de Polícia do meu bairro o tinha. Então, é claro, foi meu primeiro empréstimo.

O livro conta a história de um crime praticado por Rodion Romanôvitch Raskolnikov que comete um assassinato para provar-se digno de fazer parte dos grandes como, Napoleão. Tudo por acreditar que a sociedade é divida em duas classes a capaz de fazer grandes coisas e a que simplesmente seguiria a sombra da outra. O dilema do livro é sobre as consequências de cometer tal ato e de como o personagem principal sofrerá com isso, o sentimento de culpa e o isolamento e como ele ira agir em tais situações.

O legal, é que o Dostoiévski brincou muito com  a língua russa durante o livro, os nomes dos personagens, os mais marcantes pelo menos, possuem uma relação com seus estados, o próprio Raskonikov vem de raskolnik que significa cisma. Sobre línguas ainda, o alemão e o francês são muito presentes também no livro. Outro aspecto é o tempo, estimo que as 500 páginas tenham coberto um período de mais ou menos um mês, depois de ler bastante, você se da conta disso, de que aconteceram um milhão de coisas e de repente o autor vem com aquelas "ao se lembrar de que três dias atrás" e percebe-se que o tempo não passa. 

Isso é o motivo de muitas pessoas não gostarem desse tipo de livro, a maior parte dele acontece dentro da cabeça do personagem principal e os diálogos são maçantes o que é óbvio que aconteceria, ninguém explica uma teoria dizendo "oi, tudo bem?"-"Sim, e você?" e além disso, o estilo do escrita é complexo e as vezes você se perde, ou se por algum momento perder o foco você vai perceber que não entendeu o parágrafo. Esse é crime e castigo, um livro sobre a consciência humana e que necessita de total atenção.

A edição, vou falar vintage, pra não falar antiga que foi resultado da parceria da empresa Suzano com a Editora Nova Cultural, possui capa-dura e desenhos em dourado na capa. É uma pena que durante a pesquisa descobri que a Editora Nova Cultural teve problemas de plágio pela tradução, mas esse não é o ponto e o que importa para nós leitores é a história, desde que seja verdadeira - Digo, fiel a original -, mesmo plagiada, está valendo.

Resenha | A Tormenta de Espadas, George R. R. Martin

6 de abr de 2013
Título Original: A Feast for Crows
Saga: AS Crônicas de Gelo e Fogo
Autor: George R.R. Martin
I.S.B.N.: 9788580443769
Altura: 24 cm.
Largura: 17 cm.
Tradução: Jorge Candeias
Número de Paginas : 644
Editora:  LeYa
Avaliação:

O divisor de águas. Reis caídos, reis mortos, vilões que viram mocinhos e o surgimento de heróis.

Pela primeira vez tem no livro o mapa das terras além da muralha e os castelos que a compõem e o mapa das terras a leste de Westeros o que está atrasado, porque o Jon tá alem-da-muralha desde o segundo livro e a Daenerys fora de Westeros desde o primeiro.

Esse livro vai deixar claro quem é quem e o que cada um quer. Acrescentaram o ponto de vista do Jaime Lannister, o regecida e do Samwell Tarly e aparecem outra porrada de personagens marcantes que irão desempenhar papéis importantes durante a história, não vou dizê-los pra não gerar expectativa em cima deles. Outro fator que achei excepcional do livro é que durante ele acontece dois casamentos e um julgamento, mostrando assim, um pouco da estrutura política e religiosa de Westeros nesses aspectos, claro que já sabemos que existem alguns deuses e crenças, mas nunca tinha sido mostrado como é a representação social desses eventos. 

 
Bang Bang Escrevi | Todo conteúdo está sob a proteção da licença Creative Commons 3.0.