Resenha | Sinal e Ruído, Neil Gaiman e Dave Mckean | Bang Bang Escrevi

Resenha | Sinal e Ruído, Neil Gaiman e Dave Mckean

2 de ago de 2013
Título Original: Signal to noise
Roteiro: Neil Gaiman
Arte e Design: Dave McKean
Tradução: Alexandre Boide
I.S.B.N.: 9788576164654
Altura: 29 cm.
Largura: 21 cm.
Profundidade: 1 cm.
Páginas: 96.
Edição : 1 / 2011
Idioma : Português
Editora: Conrad
Avaliação:

Pra não dizer desesperadora vou chamar essa obra de um apelo gritante pelo existencialismo. A obra relata o medo de morrer sem deixar um legado, uma informação, algo, qualquer coisa, que façam as pessoas lembrarem de você. Ou eu dei uma mancada muito grande, ou não me lembro se o protagonista tem um nome. O que sabemos, é que ele é um diretor de cinema, que dá vida aos filmes dentro da sua cabeça antes de transpô-los para as páginas, parafraseando o próprio sobre esse seu processo, ele diz que na sua cabeça os filmes são lindos e maravilhosos o que nem sempre acontece quando são, de fato, produzidos.

A introdução da HQ alerta sobre introduções que têm o costume de dar aquele lindo Spoiler sobre algo do livro, devido a isso o autor da introdução de 1992, Jonathan Carroll, garante que não dará nenhuma pincelada na história e viaja para definir o papel da HQ, colocando ela como uma espécie de Gestalt moderno que quando se consegue assemelhar a junção de duas partes que formam não um, mas amplos significados e retira da história o seu principal caráter de definição, isso deve ocorrer devido o fato de terem surgido diversas revistas de teor adulto e etc. Mas ele quebra o paradigma de que o "comic" de Comic Book nessa HQ não tem nada de Cômico ou divertido e muito menos de "Graphic Novel" e aprofunda a sua importância tanto artística quanto cultural e a falta de um nome para definir essa categoria. É uma verdadeira viagem ao interior humano. 

A Arte é esplêndida e em alguns pontos tão simples que você não consegue imaginar como que aquela imagem pode ser tão profunda. Ou como o emaranhado aleatório de imagens pode surpreender tanto. Quem manja das capas do Sandman vai entender isso. Outro ponto sensacional é que as vezes os quadros assumem uma característica narrativa, não contendo palavra alguma mas sequencialmente narrando a história.

A profundidade do personagem e suas expressões acrescentam mais brilho ainda ao roteiro do titio Neil e as colagens feitas pelo Dave McKean dão um ar de abstrativismo na obra, que na prática estão relatando a mais concreta certeza de que o objeto tratado existe ou apenas está mascarado na realidade. 

Antes de definitivamente começar Sinal e Ruído tem um texto ilustrado com um poema sobre muros, onde durante toda uma vida a pessoa luta contra aquele muro e no final o muro é derrubado, acaba a opressão, mas e ai? A parte da luta que estava gravada no muro, a arte deixada ali para contestar a sua existência desapareceu e assim deixou de existir, ou existe um pedaço desse muro na casa de um colecionador anônimo. Aí vem a frase:
Talvez devêssemos olhar além das paredes
[...]
alguma coisa existe que não aprecia o muro, e seu nome é humanidade.
E dentro da história, Reed um dos personagens afirma que as coisas que não conhecemos e duvidamos talvez sejam apenas padrões que não conseguimos explicar e por isso os tratamos como ruídos, ou coisas que atrapalham os verdadeiros sinais... Mas, chega de profundidade, como o próprio autor diz, ele não se cansa de Sinal e Ruído e a cada fase da sua vida aparece uma nova sensação que ele não conhecia ao lê-lo...

Sinopse

Um dos primeiros trabalhos conjuntos de Neil Gaiman e Dave McKean, Sinal e Ruído é considerado a obra-prima da dupla. O premiado escritor e roteirista Neil Gaiman e o também premiado desenhista Dave McKean iniciaram juntos suas carreiras no mundo dos quadrinhos. Juntos ajudaram a revolucionar o gênero, trazendo para esse uma erudição gráfica inédita. Se foi Gaiman que criou o Sandman, de tanto sucesso, foi McKean que criou a imagem do personagem, inspirado em astros do rock inglês dos anos 80, como Ian McCulloch, vocalista da banda Echo and The Bunnymen. Neste Sinal e Ruído a ousadia da dupla chega talvez a seu ponto máximo. Tanto no aspecto gráfico como no roteiro que descreve os últimos dias de um cineasta e, ao mesmo tempo, os últimos dias do ano 999 d.C. Sinal e Ruído foi publicado originalmente em 1989, na badalada revista inglesa The Face, quase que como a consagração dos quadrinhos como arte. Esta edição que a Conrad traz agora foi revisada pelos autores e ampliada com novos desenhos e novos textos. Um livro que irá surpreender mesmo os mais apaixonados fãs de Neil Gaiman 
Coisas que tenho que adicionar... Paguei R$ 9,90 em uma promoção da Submarino nessa Edição da Conrad e, não é que eu não tenha me arrependido, mas me senti como se tivesse comprado por desespero, o papel é grosseiro e tem um mau cheiro abominante... Mas por R$ 9,90 quer o quê? Sem falar no seu absurdo tamanho de A4. Muito diferente da edição não econômica. 
Victor Candiani

Uma pessoa que gasta muito tempo com livros, filmes e séries.

Comentários
2 Comentários
2 comentários:
  1. "mau cheiro abominante" kkkkkk
    Minha versão é essa aí, e acredita que ainda não conseguir ler por causa disso? Rinite não deixa =/
    Beijos... Elis Culceag. * Arquivo Passional *

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    Respostas
    1. Eu estou hesitante pra ler o outro que comprei junto só por causa do cheiro.
      Obrigado pelo comentário e volte sempre. :)

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