Resenha | Juliette Society, Sasha Grey | Bang Bang Escrevi

Resenha | Juliette Society, Sasha Grey

11 de set de 2013
Título Original: Idem.
Autora: Sasha Grey
I.S.B.N.: 9788580448078
Altura: 23 cm.
Largura: 16 cm.
Profundidade: 2 cm.
Acabamento : Brochura
Edição : 1 / 2013
Idioma : Português
Número de Paginas : 236
Editora: LeYa
Avaliação: 
Para tudo! Meus bons companheiros, Sasha Grey deu um show em seu novo livro.


Antes de qualquer coisa... Deixe-me esfregar na cara da sociedade que meu livro é autografado e que peguei uma baita fila por isso, fiquei cara-a-cara com a lindeza e as pernas tremeram, tem até foto que vocês podem ver aqui, se quiserem. Mas vamos a Resenha, porque vou dissecar Juliette Society aqui.

Abrindo a caixa torácica. O livro começa com uma introdução obscura sobre o que o leitor deve fazer dizendo para não se ofender com o que ler, para deixar as inibições à porta e de que tudo que for visto/lido a partir daquele momento é pra ficar guardado entre você e Catherine.
Catherine é nossa personagem principal, estuda cinema e namora Jack, que trabalha no Comitê de Campanha de um candidato a Senador, Bob Deville e estuda economia. Ela é uma jovem que está aflorando sexualmente, já passou do tempo em que tinha vergonha de falar sobre o assunto e já aceitou que gosta de sexo, devido a isso começa a criar fantasias sexuais com seu namorado e alimentar uma tara sexual com seu professor da faculdade, Marcus, que não é um personagem auxiliar e que serve como válvula de escape para Cath - tô íntimo -. Que é nele, que ela passa a aliviar a tensão, em forma de pensamento, de não ter a atenção devida de Jack. Nisso ela conhece Anna, a dada da faculdade sabe? Toda faculdade tem uma, mas a Sasha - Intimidade mode ON, hoje, aqui - defende o porquê de a pessoa ser assim, de que ela apenas se descobriu muito antes do que as pessoas que a criticam e que aceita ser assim.
Anna leva Cath para o mau caminho, apresenta ela aos seus "amigos" e fala das coisas que ela faz, da pegada que ela gosta e Cath sente vontade de praticar certas coisas com Jack, inclusive, Cath tem umas vontades sensacionais que se todas as mulheres tivessem ou apenas fizessem com seus namorados o mundo seria um lugar melhor. Isso provavelmente é reflexo da bagagem da Sasha linda, que por conhecer o mundo de entretenimento erótico sabe do que os homens gostam ou preferem, mas não pense que ela deixou a desejar no que diz respeito a agradar literalmente (no sentido de literatura) as mulheres. Uma parte da história é a busca pela reconciliação com Jack, o que ficou, sinceramente, muito bonito, ainda mais pra mim, que não sou fã de romances. Todo mundo morrer é o meu final perfeito.
"Eu sento para assistir a um filme desejando fugir da realidade num voo para outro mundo. Eu espero, no mínimo, ser entretida, talvez encantada, até chocada. A última coisa que espero é me ver na tela."
Por nossa protagonista ser uma estudante de cinema, imagina quantos filmes ela citou... Eu contei 21 e vou fazer uma lista pra vocês, não se desesperem. A faculdade da nossa personagem torna o livro ainda mais interessante, porque ela acaba citando teorias de cinema, estudos e máximas da área como: "O enredo sempre se desenvolve em função do personagem". E ela seguiu a receita e contorceu o livro ao redor de Catherine, trabalhar com o enredo dessa forma possibilita grandes desdobramentos na história fazer o leitor pensar que uma coisa é de certa forma quando é de outra no capítulo seguinte, é o enredo construindo o personagem. Em determinado momento do livro, que você pensa que é o Clímax da história, Cath se encontra totalmente confusa e desorientada, gerando os mesmos sentimentos no leitor e o deixando perdido dos fatos. Fazendo-o pensar que Cath está... óbvio que não vou dizer, mas que não é aquilo.
Se vale a pena lê-lo? Muito, mas antes você tem que se livrar do seu preconceito de que por Sasha Grey ser uma ex atriz pornô ela não poderia ser uma boa escritora, pois está muito enganado. Ela arrebenta em sua estreia e mostra que não só é culta como também letrada.

Removendo o coração. Como sou um cara das referências e adoro quando um livro é cheio delas, então, vou passar algumas pra vocês porque são muitas, aqui nem o coelho branco da Alice escapou. Na música ela cita Nickelback e Subterranean Homesick Blues do Bob Dylan. De teorias do cinema nós temos: Mise-en-scène, frenesi do visível, "O que é cinema?" de André Bazin, além de falar de John Cassavetes e Foucault e do filósofo, estadista e ensaísta Fracis Bacon. Ainda dá uma leve pincelada na Síndrome de Stendhal, que é a pessoa que passa mal diante de obras de arte e do Efeito Pigmaleão que pode ser definido como a vida e a arte se misturando na vida real e a pessoa não conseguir discernir isso. Na literatura só teve uma referência, a que inclusive explica o nome do livro e que vem da obra 120 dias de Sodoma do taradão Marquês de Sade.

Lembra dos filmes? Aqui a lista:

Made in U.S.A. - Godard (1966)
Vertigo "Um corpo que cai" - Alfred Hitchcock (1958)
Femme Fatale - Brian De Palma (2002)
Citizen Kane "Cidadão Kane" - Orson Welles (1941)
Le mépris "O Dezprezo" - Godard (1963)
Basic Instinct "Instinto Selvagem" - Paul Verhoeven (1992)
A Place in the Sun "Um lugar ao sol" - George Stevens (1951)
Les Quatre cents coups "Os Incompreendidos" - François Truffaut (1959)
Psycho "Psicose" -  Alfred Hitchcock (1960)
Ultimo Tango a Parigi "O Último Tango em Paris" - Bernardo Bertolucci (1972)
Belle de Jour "A Bela da Tarde" - Luis Buñuel (1967)
La Sindrome di Stendhal "Síndrome Mortal" - Dario Argento (1996)
Eyes Wide Shut "De Olhos Bem Fechados" - Stanley Kubrick (1998)
Viaggio in Italia "Romance na Itália" - Roberto Rossellini (1953)
The Last Picture Show "A Última Sessão de Cinema" - Peter Bogdanovich (1971)
Nine 1/2 weeks "9 1/2 Semanas de Amor" - Adrian Lyne (1986)
Cruising "Parceiros da Noite" - William Friedkin (1980)
The Wild Bunch "Meu Ódio Será Sua Herança" - Sam Peckinpah (1969)
A bout de souffle "Acossado" - Godard (1960)
Il Buono, il brutto, il cattivo "Três homens em conflito" - Sergio Leone (1966)
The Italian Job "Um Golpe à Italiana" -  Peter Collinson (1969)

Abandonando o espécime. Além de tudo isso que já foi dito, descobri depois de uma incansável pesquisa que ela assinou Lotta Continua no meu autógrafo e agora é a vez de vocês descobrirem o que isso significa. Mas, pra mim, anarquista foi uma coisa linda de se ler.
"Nós todos somos aberrações. Em segredo. Lá no fundo. A portas fechadas. Quando não há ninguém olhando." 
#mamilossaopolemicos

Sinopse

Se eu te contasse que existe um clube secreto, cujos membros pertencem à classe mais poderosa da sociedade – banqueiros, milionários, magnatas da mídia, CEO’s, advogados, autoridades, traficantes de armas, militares condecorados, políticos, oficiais do governo e até mesmo o alto clero da Igreja Católica –, você acreditaria?

Este clube se reúne sem regularidade, em um local secreto. Às vezes em locais distantes e às vezes escondidos. Mas jamais duas vezes no mesmo lugar. Normalmente, nem mesmo duas vezes no mesmo fuso horário.

E esses encontros, essas pessoas... não vamos enrolar, vamos chamá-las do que são, os Mestres do Universo. Ou o Braço Executivo do Sistema Solar. Então, essas pessoas, os Executivos, usam os encontros como uma válvula de escape do cansativo e estressante negócio de estragar ainda mais o mundo e criar novas maneiras sádicas e diabólicas de torturar, escravizar e empobrecer a população.

E o que eles fazem em seu tempo livre, quando querem relaxar?
Deveria ser óbvio.
Eles fazem sexo.

E se você ainda não se convenceu... Tem um book trailer aqui:
Leia mais resenhas.
Victor Candiani

Uma pessoa que gasta muito tempo com livros, filmes e séries.

Comentários
3 Comentários
3 comentários:
  1. Oi Victor!
    Alguns eróticos que andei lendo me tiraram o tesão - ao invés de acrescentar - e perdi o interesse pelo gênero, percebi que prefiro livros românticos com cenas sensuais aos declaradamente eróticos, porém sua resenha me instigou a experimentar novamente, com a impressão de que dessa vez pode ser diferente. Parabéns, adorei o texto.
    Beijos... Elis Culceag. * Arquivo Passional *

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    1. O último erótico que li foi Doce Veneno do Escorpião da Bruna Surfistinha a muitos anos atrás, tanto que nem falei das cenas eróticas fortes que o livro tem, que na minha visão masculina são sensacionais. O que mais gostei do livro foi o plano de fundo e o sincronismo com o cinema, sou cinéfilo assumido e vi muitas das cenas dos filmes que ela citou. Os filmes não eram apenas um elemento a mais, eles ajudaram a construir a história.
      Mais uma vez, obrigado pelo comentário e volte sempre.

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  2. Vou ter que ler este livro hahaha Muito boa sua resenha

    http://nacasadoslivros.blogspot.com.br/?m=1

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