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Crítica | A Garota das Nove Perucas

10 de jan de 2014
Exibido no Festival de Sundance, a Garota das Nove Perucas ainda não tem data de estreia no Brasil, mas é um filme que vale a pena ser visto. Recheado de sutileza e completamente emocionante.

O filme tem um tema complicado de ser abordado em qualquer forma de linguagem: o câncer, porém por ser um relato real ninguém pode reclamar do que acontece, dizer que não é bem assim. Pela temática me apeguei bastante aos detalhes e vou tentar ambientar, você leitor, na pele da nossa protagonista.

Imagine você: Sua faculdade está terminando, você tem apenas 21 anos, sem preocupação alguma na vida e está procurando uma casa para morar e finalmente cortar o cordão umbilical com seus pais, quer sua independência, algo seu, quer encontrar seu caminho, se virar sozinha, quer amar, se divertir, está em plena véspera do ano novo, renovando suas energias se enchendo de esperanças para o ano seguinte, mas antes de tudo isso, vai até o médico chegar uma tosse que está te incomodando e descobre que tem um tipo raro de tumor ósseo, onde as chances de sobrevida são de 15% e ainda menos se você não for mais criança, o que você faria?

Vamos deixar claro, que a descrição acima não é um spoiler e sim a premissa do filme, tudo isso acontece nos primeiros 15 minutos do longa, então sem drama. Aqui começam as sutilezas, a música e as cores mudam drasticamente, antes da notícia o clima do filme é aconchegante e colorido e, logo nos vemos presos dentro de um hospital totalmente branco e neutro e a música torna-se agressiva e consegue facilmente impulsionar um sentimento de angústia e desespero. Excelente trabalho.
 Nossa protagonista, Sophie (Lisa Tomaschewsky), agora tem uma luta a enfrentar, aqui o filme cai em alguns clichês do tema, mas ocorre tudo bem e ele transcorre facilmente, sem forçar a emoção, mas o ápice são as perucas, já que são mencionadas no título, antes de falar delas, tenho que fazer um Lost In Translation aqui: The Girl With Nine Wigs é o título em inglês do longa, porém sua origem é alemã e ele se passa na Bélgica, o título original é Heute bin ich blond que significa Hoje Eu Sou Loira. O que se percebe bem, já que a maior parte das perucas são loiras. Cada peruca dá para a protagonista a chance de ser alguém diferente, então conhecemos 6 personalidades distintas: Daisy, Lydia, Sue, Blondie, Pam e Platina.

A mudança de comportamento é evidente e dá pra encontrar os nuances, então vou deixar essa diversão para vocês, a atriz fez um excelente trabalho e é completamente desconhecida para esses lados do continente. O Clímax do filme é tão intenso que me arrepiei, senti algo semelhante quando li David Copperfield do Charles Dickens. Comentei com a namorada antes de assistir o filme que esse tipo de filme só tem duas opções, ou a pessoa vive ou ela morre, não tem sentido ela ficar viva fazendo o tratamento, seria só meio filme. E particularmente, gostei do desfecho, pareceu inesperado em alguns momentos.

Lá em cima mencionei que o filme é um relato real, pois conheçam Sophie van der Stap, a autora do livro que deu origem ao filme. Que inclusive, tem publicado aqui, em português, pela Livros de Safra, na página dá até pra dar uma espiadinha nas primeiras 15 páginas.

É isso aí, provavelmente chegue aqui com esse título, mas nunca se sabe. Depois de ver esse filme fiquei com a ideia de fazer uma lista com 10 filmes com a temática parecida ou a mesma, já que temos A Culpa é das Estrelas chegando por aí. Sai ainda esse mês, que alguns eu tenho que lembrar a história. Espero que gostem e divirtam-se.

Trailer


Ficha Técnica
Título: Heute Bin Ich Blond (Original)
Ano produção: 2013
Dirigido por: Marc Rothemund
Estreia: 2013 ( Mundial )
Duração: 115 minutos
Gênero: Comédia/Drama
País de Origem: Alemanha

Sinopse
Sophie havia começado há poucos meses seus estudos universitários quando descobriu que estava com câncer. Para enfrentar o problema, ela decide adotar uma postura firme e corajosa: viver como qualquer garota da sua idade, com direito a sonhos, festas, gargalhadas e sexo. Com o auxílio de nove perucas, a jovem assume diversas personas, uma para cada ocasião. Ela agora pode ser selvagem, sexy ou romântica, basta trocar a cor e o estilo de seu cabelo. Com leveza e bom humor, a doença, aos poucos, se torna mera coadjuvante em sua vida.

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Victor Candiani

Uma pessoa que gasta muito tempo com livros, filmes e séries.

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