Crítica | A Menina que Roubava Livros | Bang Bang Escrevi

Crítica | A Menina que Roubava Livros

23 de jan de 2014
Queridos ladrões,
essa não é apenas uma crítica, mas também uma confissão.

O filme é belo e esse é o seu problema. Ninguém espera que uma adaptação literária sobre o período da Segunda Guerra Mundial seja embelezado, mesmo que na prática a obra não passe de uma ficção. As roupas não passam a real situação da Alemanha, tão pouco o estado caótico em que o país se encontrava, que no livro é mais latente. Correram demais para mostrar as coisas divertidas e esqueceram de dar profundidade nos pontos que tornam o livro o que ele é: uma obra sensacional.

Outro ponto a ser ressaltado é a montagem que escolheram e a falta da narradora, sabemos que um narrador onipresente em um filme é algo complicado de se fazer sem que se afete a linha do tempo em que o mesmo ocorre, porém a sua falta, somada a montagem de cenas que escolheram, transformaram aspectos importantes do filme em meros flashbacks, que não ficaram bem explicados. Isso sem falar em cenas memoráveis que simplesmente não aconteceram. Somando o conjunto narradora, montagem e cortes de cena subtrair-se a gangue de ladrões, Max, o lutador tendo alucinações e a queda do avião em meio a rua Himmel.

Os fãs podem estar pensando que eu estou exagerando, mas A Menina que Roubava Livros é uma história narrada pela morte e seus encontros com uma menina chamada Liesel, que aprende a ler e rouba alguns livros em seu caminho, que a fez desejar viver e que em muitos momentos usa das cores para narrar os fatos. Em nenhum momento dessa premissa o filme atendeu as expectativas. Não usaram cores e o sentido da morte narrar o filme ficou perdido, duvido que quem não conheça a história entenda quem é o narrador.

Falando de erros que considerei grave. Mudaram o nome do livrou que ela tira da fogueira de O Dar de Ombros, que não encontrei o autor, para O Homem Invisível do H.G. Wells, tudo bem trocar, mas explica o que o livro do Wells fazia na Alemanha Nazista? Alguns problemas com a personalidade dos personagens completam o quadro, não vou criticar a aparência porque não dá pra encontrar uma pessoa que é fruto da imaginação de um autor, mas mudaram alguns aspectos dos Hubermanns que não agradaram, sem falar no tal do "majestade", isso você caro leitor, vai descobrir. A única coisa que respeita o livro é a força da amizade de Liesel com Max, Rudy e Hans. E a Rosa que acaba sendo aquela rabugenta que todos gostam.

Tirando todos esses detalhes da parte da crítica feita por um fã do livro e despindo-se dessa roupa e colocando a de um simples fã de cinema, o filme é bonito e agrada aos olhos. Mas se você gosta de filmes sobre guerra ou é fã do livro certamente não vai sair satisfeito da sua sessão e ainda vai se perguntar: "Por que fizeram isso?". Acredito que a maior parte dos problemas foi dada pela pressa em que realizaram o filme ele estava pronto em menos de um ano, tendo em vista que estreou em outubro lá fora e só chegou aqui esse mês.

Vou deixar a confissão na mesma situação em que o narrador está no filme, adivinham o que é?

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Victor Candiani

Uma pessoa que gasta muito tempo com livros, filmes e séries.

Comentários
1 Comentários
Um comentário:
  1. Oi, Victor!

    Vi seu blog no grupo Blogueiros Literários e vim aqui te visitar e seguir. :)
    Estou doida para assistir a esse filme!

    Beijos!

    www.oblogdasan.com

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