Resenha | O Cão de Olhos Amarelos, Alberto da Cunha Melo | Bang Bang Escrevi

Resenha | O Cão de Olhos Amarelos, Alberto da Cunha Melo

9 de dez de 2014
Resenha rápida para vocês... Não sei o que me deu nesses últimos meses que dei-me a ler poesia, e como já sabem, poesia é um troço difícil de resenhar, que prefiro deixar que os versos falem por mim. O Cão de Olhos Amarelos é uma coletânea de poemas dividida em três partes, na primeira o autor faz uma homenagem a estrutura dos Renkas, uma forma poética extinta no japão, que descende de outra mais antiga, o Waka [...]. Essas estruturas somadas e com alguns nuances, dão origem ao que conhecemos hoje como Haicai. A Segunda trata de temas diversos e períodos na vida do autor e a terceira é um belo jogo de palavras e ritmos.
Mas vamos lá.

Um dia temos de escolher
entre a dor que já padecemos
e a que tentamos inventar.
[in Script]

e, mais uma vez, correm todos
para amarrá-lo aqui na terra.
[...]
É a morte aqui tão adiada
que, se o fim nunca for lembrado,
ninguém sabe que está morrendo
[in UTI]

Tenho pra mim, que a poesia necessita de inspiração, não sou um gênio poeta, mas pra escrever é preciso estar sendo acometido de coisas externas, que literalmente te viram para dentro de si, temas como a dor ou a morte, dos trechos acima, fazem isso claramente. E são os tipos que mais gosto.

Numa terra se sombras,
as pessoas vivem
prisioneiras da luz
e, por isso, o dia
cada dia se estende mais:
e apenas estar vivo
é ter chegado com honra
ao fim da rota,
e cada dia de vida
adia a derrota
[in Nor-nordeste]

Outra forma de inspiração poderosa, a tristeza. Assim como seus amigos, a falta de esperança, o desejo de suicídio, o fracasso e anexos. E aqui, o próprio título indica uma falta de rumo, alguém que segue tangente ao norte e não para o norte.

Não se desesperem e pensem que a poesia só é feita de sentimentos "negativos", mas a condição está mais relacionada com o estado de espírito de quem escreve do que com os estímulos exteriores. Não lembro de ter lido alguma outra inspiração nos textos do livro, tinha alguns sobre as dúvidas da vida, ter filhos, mães e temas cotidianos. Acredito que no fim a poesia é feita para se pensar, porque o seu real significado só existe na mente do autor, e tentar descobrir isso, pode ser um caminho sem fim.

Até mais.

Leiam outras Resenhas
Victor Candiani

Uma pessoa que gasta muito tempo com livros, filmes e séries.

Comentários
0 Comentários
Deixe seu comentário
Postar um comentário

 
Bang Bang Escrevi | Todo conteúdo está sob a proteção da licença Creative Commons 3.0.