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Crítica | Cinquenta Tons de Cinza

1 de mar de 2015
É pessoal, eu pensei, pensei, pensei e pensei... e no fim vou fazer a crítica.
Nos primeiros cinco minutos de filme, a impressão é que a direção de arte tornou tudo cinza. A fotografia ganha o cinza em diversos tons, e até aí você não sabe dizer se o filme é bom ou ruim. Com o desenrolar da trama o veredito fica claro, mas vamos conversar mais um pouco.

Não li o livro. Não tinha pré conceitos do que seria o filme e nem fazia ideia do que esperar, apenas conheço a fama do livro, que fez sucesso por ser ruim. A história deveria se tornar em algo que aprofundasse a relação de uma submissa com o seu dominador, em um primeiro momento, e que depois isso viria a ser um problema devido a natureza obscura do protagonista. Mas não passou nem perto.

Os atores até se esforçaram, mas a dupla Anastasia Steele (Dakota Johnson) e Christian Grey (Jamie Dornan) só tinha química na hora das cenas de sexo, que sim, ficaram "um pouco" desprovidas de pudor e são a única coisa interessante no filme, de resto, era uma interpretação forçada, em uma vã tentativa de atrair o expectador para o mundo da submissão.

O pano de fundo da trama, a linha mestre do roteiro, que deveria ser fortíssimo, para sustentar a identidade do personagem e deixar claro que ele é meio tapado, e usa a submissão como uma forma de castigo, não para ele, mas para/com a submissa, não rolou, o personagem fica vazio e superficial, não deixando claro o objetivo do filme. Eu entendi isso, porque foi exatamente o que faltou e depois a minha namorada me explicou. E isso é outro ponto.

Minha namorada, que leu o livro, também não gostou, disse que as coisas acontecem rápido demais no filme, que é tudo muito certinho. "Vamos foder?", "Opa! Só estava esperando você convidar.", coisas desse gênero, é totalmente diferente do que acontece no livro, onde a personagem é muito mais insegura do que no filme, já que Anastasia Steele é uma virgem que nunca viu um pinto na vida e está se formando em letras com enfâse em literatura inglesa, que derrepente, tá andando pelada pra todo canto e levando palmadas a torto e a direito. Séloko.

Aproveitando a conjugação do verbo foder, vamos ao script, eu imagino o quanto foi divertido adaptar isso em países diferentes. Durante a sessão eu separei algumas frases sensacionais, que unidas formam um funk. vou colocar apenas algumas: "Que se foda a papelada", "Agora você tá presa", "Eu fodo com força", Eu quero comer você no meio da semana que vem" e assim vai. Eu não aguentei e ri, porque criaram uma atmosfera de tensão para preceder essas frases, o que tornou o filme tragicamente cômico.

E por fim, outro ponto positivo, a trilha sonora, que dá um show a parte com um versão remixada de Crazy in Love, de Beyoncé, e ainda tem Rolling Stones, Ellie Goulding e outros. E o veredito? O filme não vale a pena, o roteiro é fraco, os personagens superficiais. Só a trilha sonora e as cenas de sexo que compensam, mas pra isso você não precisa ir no cinema. Resumindo, para tudo e manda um reboot aê.

Extra | Lost in Transitions
Eu acho, que cometeram um erro gravíssimo na tradução do título do livro, que também contaminou o filme. O título original é Fifty Shades of Grey, Na tradução literal, Cinquenta Tons de Cinza, até ai confere, porém, o personagem principal se chama, Christian Grey, logo, o título deveria ser Cinquenta Tons de Grey, ou seja, cinquenta tons do personagem principal, para entrar naquela que existem muitos motivos por trás da sua aparência.

Extra | Continuação...
É óbvio que vão produzir, a última notícia que eu vi, era de que o filme já era a maior bilheteria do ano (Tsc, nem teve nenhuma estreia importante ainda) e que já ultrapassava a marca de 400 milhões de Obamas mundialmente.

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Victor Candiani

Uma pessoa que gasta muito tempo com livros, filmes e séries.

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