Crítica | Inquietos (Restless), vi na Netflix | Bang Bang Escrevi

Crítica | Inquietos (Restless), vi na Netflix

29 de jun de 2015
Eita filme lindo!

Inquietos (2011), de tradução literal do título original, Restless, é aquele tipo de filme que a história fará você verter mais lágrimas do que o final. O final é um mero detalhe que some na complexidade dos personagens. Além de ser um filme sobre a passagem, a aceitação da morte, o título está na nossa lista de 10 filmes sobre doenças e doentes, porque é disso que ele fala.

A história acompanha os jovens Enoch (Henry Hopper) e Annabel (Mia Wasikowska). Enoch é do tipo introspectivo que vai a velórios de desconhecidos e Annabel é o contrário, totalmente livre, linda e descontraída. Esse casal incomum teve que enfrentar coisas para as quais ainda não estavam prontos, como a perda dos pais e a notícia de uma doença grave. Esse amadurecimento precoce faz com que cada um enxergue o mundo de uma maneira.

No meio desse barranco o casal passa a ter experiências únicas, o velho clichê do "o que fazer antes de morrer, quando temos pouco tempo", mas o diretor coloca isso de uma forma sublime, a perda da inocência, as crises adolescentes, os desajustes da vida, a dura e fria realidade.

Eis que no meio da ladeira, nesse penhasco emocional surge Hiroshi, amigo imaginário de Enoch, um piloto kamikaze da Segunda Guerra Mundial, que por si só, já é uma contradição, porque dentre todos os dramas intrínsecos na trama, o luto e o rito de passagem pela morte, temos uma pessoa que se suicida por um ideal. Em um primeiro momento ele surge como um companheiro de Enoch, mas depois passa a mostrar-se como um guardião.

O mais monumental do filme é que em dado momento Enoch parece ser um personagem forte que vai estar com Annabel independente da circunstância, capaz de aguentar a morte, superar o luto, mas mostra-se totalmente sensível e inconstante. Isso pra mim é um reflexo de como as pessoas nunca estão prontas para um perda, por mais que elas achem que estão - intimamente, não acredito muito nisso, trato a morte como um fato do destino e me conformo com mais facilidade do que as demais pessoas, mas mesmo assim, ainda é difícil.

Considero Inquietos um filme sensacional, pelo fato dele sair dos moldes e não tratar apenas da doença e do doente, que são seu tema central, neste caso, Annabel. Ele expande até as relações dessa pessoa com o mundo e com as outras pessoas, e mais, quando nos dá o vislumbre de que nem sempre a doença pode ser fisiológica, por assim dizer, mas pode ser algo além, algo ligado aos seus sentimentos, mais ligado ao lado psicológico.

Além é claro, temos a linda Annie, que por si só é uma contradição, já que tem como ídolo, Charles Darwin, pai das teorias do evolucionismo, onde os mais fortes estão destinados a sobreviver, e tem uma doença como seu calcanhar de Aquiles. Já que está destinada a falhar na escala evolutiva.

Inquietos é o tipo de filme pra ver com a namorada - a minha inundou a cama -, indicar pra um amigo que passa por uma barra, ou que acha que está na merda. É um filme inquietante que faz você pensar com mais carinho na vida e nos pequenos momentos.

PS. O filme encontra-se disponível no Netflix atualmente.

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Victor Candiani

Uma pessoa que gasta muito tempo com livros, filmes e séries.

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