Crítica | The Last: Naruto (2014) | Bang Bang Escrevi

Crítica | The Last: Naruto (2014)

4 de jun de 2015
Dattebayo!
Tudo certo pessoal? Vou por a minha alma nessa critica, já andei lendo e vendo outras por aí, que deixaram-me desanimado. E mais, essa é a primeira vez que falo de um anime aqui. Vish.

A galera que critica essas coisas por aí na web, não aprovou o filme - ou eu que só vi crítica negativa, - não sou contra isso, adoro cinema, amo animações, dos piores aos melhores tipos, até stop motion de massinha eu curto, se for bem feito então, nossa! Entendo, do fundo do meu coração, por mais que meu desejo fosse de um filme impecável, ele não é, não enquanto cinema, tecnicamente falando. O roteiro é ruim, a animação dá umas deslizadas brutais, principalmente quando tira o foco do personagem principal, e faz dele parte do cenário, fica grotesco e mal produzido, e principalmente, falha contra as leis da natureza, mas não desanime e leia a crítica até o final.

Primeiro, não tem gravidade na lua, a galera ninja se move livremente pela atmosfera lunar, sem sofrer nenhum impacto do diferencial de gravidade, segundo a minha namorada, temos uma incrível "água que não molha", entre tantos outros deslizes que o filme dá. Segundo, outro grande culpado é o clichê da trama que assume a forma de donzela em perigo, e daí? Terceiro, o legal do filme é a parte Shonen - nem sei se escrevi direito, e não importa, não classifico os animes assim, vejo o que me dá na telha - só porque tem algumas pancadas e corpos explodindo. Blá blá blá, esse não é o objetivo do filme, e se esse foi o único motivo para o filme ser bom, você não sabe do que está falando.

O bicho começa a pegar, porque esquecendo disso, e entrando de cabeça no mundo do anime - lado fã criticando - o filme é lindo, épico e além de ser razoável, não que precisasse ser algo além disso, oferece para os fãs, o que raramente o mercado oferta, uma conclusão, um fechamento. A cobra que morde o seu próprio rabo. Naruto, é no fundo, no fundo, um Ouroboros, e como tal, não poderia ter sido melhor encerrado.

Aí vão falar, que não existia a relação do Naruto com a Hinata, claro que não, se você for comparar a Hinata com a Sakura, que é uma personagem principal; que o filme foi feito para os fãs. Sim, o filme foi feito para os fãs, encarem essa realidade, afinal, já é o 10º filme da franquia, o Mangá tem 72 volumes, o anime já está acima de 600 episódios, sim, tem fã pra agradar. Achei errado dizerem na crítica do Omelete que "é um filme bonito, mas que, em nenhum momento, se mostra necessário", eu como fã, adorei o filme, e se ele foi feito pra mim (fã), pela lógica alcançou seu objetivo, assistiria mais uma vez, se achasse uma cópia legendada próximo da minha casa.

Voltando no lance do Naruto e da Hinata. Mano, desde quando assisto Naruto, se contar das duas vezes que vi a primeira fase, porque me desanimei no meio dos fillers por volta da 7ª temporada. Enfim... Desde quando assisto essa joça, o Naruto estava destinado a ficar com a Hinata, mesmo que ela não tenha aparecido muito, que tenham forçado essa ligação no filme, o que a propósito, foi lindo, ver os dois presos em genjutsus, onde reconhecem a importância um do outro, além de dar um clima nostálgico com a enxurrada de melhores momentos do casal durante o anime, meu, um soft love ridículo, e sim, mais uma vez, era o que a galera esperava.

Todo aquele clima de chove mas não molha dos orientais estava ali, a Hinata é a reencarnação disso, o Naruto é um retardado mental para sentimentos. O que ocasiona as melhores cenas do filme, um besteirol americano, no estilo F.R.I.E.N.D.S. dos outros personagens em relação as atitudes, ou a falta delas nos personagens principais. Sem falar na imensa metáfora do cachecol que se destroça N vezes durante o filme e gera trabalho para a Hinata, esse cachecol é a vida dando uma lição em você, Wabi-sabi, pra mim a coisa mais marcante do filme, cheia de simbolismo, que são revelados apenas no final do longa.

O que a galera não entende em relação ao filme é o clima que o cerca, não é só o 10º filme, não são só os clichês da trama, é o encerramento de uma geração, tem coisas mais importantes aí do que a técnica e a teoria por trás da 7ª arte, claro que queria que o filme fosse impecável, porém estamos na zona de convergência, o mangá encerrou, e entre os capítulos 699 e 700 existe uma fenda espacial, porque no 700 a galera já está bem mais evoluída, tudo mudou. E os fãs não sabem como isso ocorreu, apenas que ocorreu. O anime já caminha pra fase final, entrando agora na linha decisiva da guerra. Existe todo um conteúdo que está dando adeus, sou contra a ideia de deixar coisas no ar, pra incentivar a imaginação dos fãs, papo de quem precisa criar teorias da conspiração pra viver, o anime é do Masashi Kishimoto, e ele termina da forma que achar melhor, se for agrandando os fãs, qual o problema?

Claro que encontro um meio termo, de que às vezes existem exageros nas histórias, que o anime se prolongou, que o Kishimoto se vendeu e tal, mas vira pra mim e fala que a Marvel e a DC Comics, lançarem filmes e séries um atrás do outro nos próximos 10 anos não faz parte desse mesmo efeito, que os estúdios não estão "mamando nas tetas dos fãs"? O lucro vem disso, e por isso acho que concluir é o melhor, uma hora satura e ponto. Não tem mais graça, a geração já foi. Da mesma forma que Supernatural poderia ter terminado na 5ª temporda. Naruto poderia ter  sido concluído na primeira fase. Não vou entrar nesse mérito, fidelidade é outra coisa.

E mais, se você pensa que acabou, ainda tem alguns conteúdos saindo lá fora, que completam ainda mais esse vão dos últimos capítulos do mangá, diversas novelas, sim, pelo o que eu entendo é texto puro, sobre alguns dos principais personagens, já li a primeira, a do Kakashi, sobre seus dilemas de aceitar ser Hokage - presumo que já saibam que ele é o sexto Hokage. Além dos títulos da Sakura, Gaara, Shikamaru e da Akatsuki. E claro, um especial, pra falar do resto da galera da Vila da Folha, cujo nome é esse mesmo, Aldeia da Folha, na verdade é Konohagakure (Vila Oculta da Folha).

O que mais me desanimou nas críticas que vi, foi a de um canal no youtube que disse que quem gostou do filme é fã retardado de Naruto, acho esse tipo de atitude profissional, se é que se aspira isso, a partir do momento em que você se dispõe a dar opiniões públicas sobre conteúdos diversos, você tem que respeitar os gostos das outras pessoas. Se você não sabe o que é isso, deve manter a sua opinião pra você. Aqui a gente toca em outra pedra fundamental dos motivos por quais fiquei muito tempo afastado da cultura oriental, animes e mangás, a galera não sabe respeitar esse limite, e ficam com frescuras do tipo DBZ > CDZ, eu assisti os dois e pra mim ambos são bons. E se tivesse assistido apenas um, respeitaria o que as pessoas que gostam do outro pensam. Não gosto de novela, nem por isso fico publicando na página da Malhação que Anime > Novela, apenas para gerar a discórdia.

Mas voltando ao filme, The Last: Naruto, em seu clímax, por mais que na sessão das 19:00 horas houvessem apenas umas 20 pessoas, e um pobre garoto se perguntando onde estava o Neji, que não tinha aparecido no filme... tsc tsc. O filme conseguiu arrancar gritos e aplausos do seu pacato público, quando chegou em seu ápice. Pensando assim só posso analisar o filme pelo o que ele é, um filme, sem grandes olhares técnicos, apenas uma experiência que me permiti, a cereja do bolo.
Sobre o final do filme...
Ainda não respondi a pergunta crucial das minhas críticas, vale a pena assistir? Sim, muito! Claro, se você é fã ou despretensioso.

Leia mais Críticas, ou quase isso.
Victor Candiani

Uma pessoa que gasta muito tempo com livros, filmes e séries.

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