Critíca | O Jogo da Imitação (2014) | Bang Bang Escrevi

Critíca | O Jogo da Imitação (2014)

7 de jun de 2015
Olá, caros amigos! Depois da emocionante critíca de The Last: Naruto, hoje chegamos com uma temática um pouco mais leve: computadores, Segunda Guerra Mundial, criptografia e homossexualidade. Ô bem mais leve.

Raramente assisto filmes biográficos, mas não resisti ao tema de O Jogo da Imitação, que coloca sob a pele de Alan Turing, ninguém menos do que Benedict Cumberbatch (Sherlock, da BBC e o Smaug/Necromancer em O Hobbit), que dá um show de atuação e mostras os motivos pelos quais foi indicado ao Oscar 2015. E claro, conta a história do pai dos computadores.

O filme narra a vida do introspectivo matemático que desenvolveu uma máquina para quebrar o mais poderoso encriptador da época, o Enigma, utilizado como forma de comunicação pela Alemanha nazista, durante o período da Segunda Guerra Mundial. Como se não bastasse, o filme ainda toca em pontos delicados da biografia de Alan, como sua morte, em um sutileza enorme, que quem não conhece a história vai deixar passar despercebido e em outro ponto, que vem sendo debatido abertamente em diversos filmes, a homossexualidade do protagonista.

Na Inglaterra da década de 1910, homossexualidade era considerada crime e vista como um "vício imprópio", o tratamento da época era feito através de injeções de hormônios. Por trás desse pano, está a figura caricata de Turing, agora, imaginem Cumberbatch com seus 1,83 tímido, introspectivo, gaguejando, cheio de manias e louco, que não consegue pensar de forma sentimental, não entende piadas e baseias-se apenas pela lógica. Essa é a mente do protagonista. Todo o contra peso é colocado no personagens coadjuvantes, no impulsivo Hugh Alexander (Matthew Goode), na delicada e genial Joan Clarke (Keira Knightley), que é totalmente o oposto de Turing entre outros esteriótipos.

A película mostra como é a guerra além da guerra, com o jogo de informações e manipulações pode abater tanto o psicológico dos que estão na linha de frente, quanto dos que estão nos bastidores. E trajando esse uniforme, Turing, passa pela sua provação e tem que encarar a realidade por trás das suas decisões e criações. Outro ponto interessantíssimo do longa é o fato dela trazer na pele do Turing, que só consegue pensar de forma lógica, dois dilemas da nossa era. Pode o homem pensar como uma máquina? Iluminado na cena em que o detetive deve decidir se Turing é uma máquina ou não. E se uma máquina pode pensar além do que ela foi programada? Pra essa indicamos a crítica de Person of Interest.
O filme é sublime, não é maçante e cansativo; biografias costumam ser assim, ela assume um tom mais simples e dinâmico. A vertente da homossexualidade é mais exposta nas cenas do passado do Turing, com seu amigo Christopher, e em um ensaio sobre a solidão, onde o protagonista, assume nunca ter ficado sozinho, tentando aperfeiçoar e recriar a imagem do seu amigo em sua máquina de imitações. Lindo. Essa abordagem é um espelho para nossa geração, se existisse uma doença propriamente dita para nós, um bom nome seria Síndrome de Turing. Onde a criação de uma segunda vida virtual, mais interessante e segura que a vida real, torna-se uma ilusão de relações sociais que na verdade não existem, e que podem afastar mais as pessoas umas das outras, do que as aproximar.

Leia mais Criticas.
Victor Candiani

Uma pessoa que gasta muito tempo com livros, filmes e séries.

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