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Crítica, sem spoilers | Sense8, uma série original da Netflix

8 de jun de 2015
É... bons fellas... A Netflix não brinca em serviço.

Imaginem... Um policial de Chicago, uma hacker de Nova Iorque, um motorista de vãs do Quênia, uma cientista da Índia, uma DJ de Londres, uma executiva de Seul, um ator do México e um arrombador de cofres badass da Alemanha. Imaginem essa pequena Liga da Justiça. Agora adicione ao pensamento um elo que liga todos eles, um elo por onde um pode enxergar e compartilhar as habilidades de uma forma ambígua e singular e pra fechar com chave de ouro, tem alguém atrás deles. Essa é a premissa de Sense8, da Netflix, assinada pelos irmãos Wachowski, criadores de Matrix e V de Vingança. Truta, o bagulho ficou sinistro.

Essa Big produção da Netflix ocorre simultaneamente em todos os países, com conversas sore o passado e o presente dos personagens, e editado de forma sublime, cada cena é um corte, um salto para dentro da mente de um personagem em questão, e às vezes ficam alternando os ambientes, onde os dois estão no mesmo lugar ao mesmo tempo e não, deu pra entender? É ficção científica na veia e ate o último, em overdose. Os cenários contrastam com as vidas e desafios de cada indivíduo, e ambos tem algo a ensinar e algo a aprender. É lindo ver essa evolução. Não na série inteira, mas a fotografia dos últimos dois episódios é de cair o queixo.

O piloto deu uma deslizada, mostrando um ritmo mais lento, que dava a entender que a série não ia se desenrolar em seus 12 episódios, como já acompanho Hemlock Grove, estou acostumado com esse ritmo que as séries da Netflix possuem, no entrando, Sense8 não segue a mesma regra, imagino que seria melhor ter 4 ou 5 pessoas no grupo, mas 8 foi um grande tiro no escuro, porque fica difícil dar espaço para as tramas individuais e os desafios que o grupo enfrenta com tantos personagens principais e coadjuvantes, em alguns momentos isso se confunde, e temos subtramas que se desenrolam em tremenda velocidade, isso gera incerteza sobre o futuro da série, ou a sua extensão, mas acredito que aumente a sua qualidade.

Por outra ótica agora, Sense8 é uma série para a tradicional família brasileira, risos maléficos. Entre os nossos personagens, temos um homossexual e um transexual - homem que virou mulher, não sei bem como devo tratar, se é "um" ou "uma", por isso expliquei -, e cenas de sexo rolam a torto e a direita, Mas vou deixar os Spoiler para a outra resenha. O importante aqui, é que o gênero não é apenas mostrado na série, ele é debatido, quando o passado dos personagens vem à tona. Isso é interessante porque mostra o que eles passaram e sentiram, além de contribuir fantasticamente com o roteiro.

A série tem momentos de tensão, alegria, surpresa, tristeza, suspense, ação, uma boa e grande quantidade de cenas de ação, em diversas passagens de diversos personagens. Os sentimentos ligados a temática das cenas, nem sempre estão de acordo com as duplas que interagem nelas, geralmente a galera atua em par, e isso gera um retrato belíssimo daquilo que os personagens são.

Acredito que a maior faceta de Sense8, está em ser modesta no seu tema, ela não exagera com teorias complexas de como as coisas funcionam, ela puxa a conexão do grupo para um lado mais sentimental e ainda integra e funde diversos elementos distintos das culturas individuais de cada integrante. Isso também dá origem as melhores cenas do seriado, o "compartilhamento", como nos ensinam, quando um "empresta" as habilidades para o outro, transforma o grupo/dupla em uma unidade, acarretando em cenas de ação, drama e comédia, ligados pelos seus sentimentos e ainda assim ser algo em perfeito equilíbrio. No fim, o grupo tende a ser um porto seguro, onde um apoia e aprende com o outro, tornando o mais forte.

A série tem 12 episódios, com uma média de 55 minutos em cada, que transcorrem como um longo filme. Eu fiz duas maratonas de 6 episódios, e queria sempre ver mais, mas como tenho um compromisso de trazer a resenha pra vocês, corri dessa forma, talvez assista novamente com um limite de dois episódios por dia, pra aproveitar melhor. Por que a série se torna única por nos mostrar o que cada personagem tem de mais puro e mais sombrio em si, quais são seus desejos e seus medos, como uma enorme introdução do que o grupo terá que enfrentar para sobreviver.

Se vale a pena assistir. Ô! Sense8, surpreendeu do começo ao fim. Melhor estreia do ano, pra mim até o momento.

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Victor Candiani

Uma pessoa que gasta muito tempo com livros, filmes e séries.

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