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Crítica | Divertida Mente, não é só de boas recordações que vive o homem

2 de jul de 2015
Divertida Mente (2015), produção sensacional da Disney traz a história de Riley, não necessariamente dela, mas dos sentimentos dela. O filme personifica as emoções Alegria, Medo, Raiva, Tristeza e Nojinho, como os guardiões das nossas memórias e também os nossos protetores, então, quando temos uma recordação feliz, um acesso de raiva, um choro repentino, um medo inexplicável ou não comemos algo por simplesmente acreditar que aquilo não é bonito, é trabalho dessas emoções, dentro de nós.

Riley, é uma garota comum de Minnesota, que tem que se mudar para São Francisco, ela ama hóquei e sua melhor amiga, e também os seus pais. Através das emoções aprendemos que quando uma memória é muito forte, ela passa a fazer parte das memórias bases, aquelas que norteiam a nossa personalidade e dentro de nós são criadas ilhas da personalidade, que formam o nosso caráter. Achei essa sacada psicológica extremamente forte no filme, você acaba tentando descobrir que ilhas você possui ou deixou de possuir. Isso já é o filme quebrando as barreiras...

Outra sacada importante é que os pais da Riley, não têm nomes, são apenas Pai e Mãe, mostrando a importância que esses nomes possuem, pois o filme também é um ensaio sobre a família e como ela se adapta a diversas situações e com a Riley como válvula de escape e também um estopim. Em dado momento, as coisas se distorcem, porque os sentimentos se separam, pois a Alegria, quer propiciar para a Riley apenas memórias felizes, mas sabemos que não é só de boas recordações que vivemos. Nisso as coisas começam a dar errado e o filme começa a se mostrar.

O longa ainda faz uma viagem até os confins da memória e expande ainda mais os conceitos de como as coisas funcionam dentro de nós, o túnel do abstrato é hilário, o trem da imaginação, o poço do esquecimento, para onde vão os amigos imaginários, como os mentalúrgicos nos sabotam com as musiquinhas dos comerciais e mais. Se faltou emoção em os Minions, Divertida mente tem de sobra, porque não só as emoções estão em risco, como a própria Riley e as relações dela.

Em um comparativo direto, Minions era um filme que precisava ser vendido, por isso teve tanto Marketing, o que enfraqueceu o filme ao meu ponto de vista, diferente de Divertida Mente, que tenho um App no celular, um joguinho, que me fez lembrar de Puzzle Bubbles do meu SNES - olha a nostalgia, chegando como um ninja - além de poucos comerciais e trailers. Indo além, no meio do filme soltam que uma das memórias tristes da Riley é "daquele" filme que o pai do leãozinho morre. PQP, Mufasa, por que vocês me lembraram do MUFASA!

A Disney é a mestre universal suprema de nos lembrar como é ser criança, ou de nos fazer esquecer que somos adultos, porque o filme é ao mesmo tempo simples e belo para as crianças e complexo e profundo para os adultos, ela consegue tocar os dois lados da moeda e mostrar através de pequenas lições de moral, as suas origens e seus propósitos ressaltando o que é realmente importante. O que acaba enaltecendo a alma.

Extra: antes do filme começar tivemos o prazer de assistir o curta Lava, que trata de forma amorosa o surgimento de duas ilhas entre a África e a Ásia.

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Victor Candiani

Uma pessoa que gasta muito tempo com livros, filmes e séries.

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